sábado, 6 de outubro de 2012

Apostila referente ao 3º encontro de acompanhamento pedagógico, individual, em horário de PL - 2º semestre/2012


PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS
COORDENADORIA DO ENSINO FUNDAMENTAL - 6º ao 9º
NÚCLEO DE LINGUAGENS – NULING



Materiais referentes ao terceiro
encontro do acompanhamento
pedagógico, individual,
em horário de PL
(2º semestre - duração: 2h, no máximo)

Cleide Pereira Gomes
1.  Oficina de ortografia.
2.  Gêneros e tipos textuais.
3.  Projeto de aprendizagem.
4.  Projeto “O filme em ação”.
5.  Coerência e coesão.






Campo Grande/MS – 2012

 
Oficina de Ortografia

Diferentes usos do R ( com orientações para o professor)

  1. Pesquisar em jornais e revistas palavras com a letra R.


  1. Copiar essas palavras em tiras de papel, com letra de imprensa maiúscula (para ficar bem legível).


  1. Usar três canetinhas de cores diferentes: uma cor para contornar o R, outra para a vogal anterior e posterior ao R, outra para a consoante anterior e posterior ao R


  1. Dividir as palavras recortadas em dois grupos:
C – palavras cuja primeira letra é R;
D – palavras em que o R não é a primeira letra.

  1. No grupo em que a primeira letra é o R, observar o que há de comum. Os alunos podem observar, por exemplo, que:

    • O R é sempre sucedido de vogal;
    • O som é forte;
    • Não há palavras que começam com RR;
    • O R é a primeira letra da sílaba.

  1. Observar o 2° grupo: separar as palavras que têm um R e as que têm RR.


  1. Observar as palavras com RR e desafiar os alunos a tirarem algumas conclusões. Os alunos podem concluir que:

    • RR vem sempre entre vogais;
    • O som é forte;
    • Nunca aparece no início da palavra;
    • Não há monossílabos.

  1. Com relação ao grupo de palavras com um R, ajudar os alunos a separar:
A – aquelas em que o R está entre duas vogais;
B -  aquelas em que o R é antecipado por vogal e sucedido por consoante;
C - aquelas em que o R aparece no final da palavra;
D - aquelas em que o R é antecedido por consoante e sucedido por vogal.

  1. Explorar com os alunos as características das palavras do grupo A:
    • O som é fraco;
    • Não aparece no início da palavra;
    • R é a primeira letra da sílaba;
    • Aparece frequentemente com A e O;
    • Há uma grande quantidade de palavras.

  1. Explorar com os alunos as características  palavras do grupo B:
    • O r vem depois da vogal e antes da consoante;
    • O r fica na mesma sílaba da vogal que o antecede;
    • O r modifica o som da sílaba e o sentido da palavra.

  1. Explorar as características das palavras do grupo C:
    • O r é a última letra da sílaba ( ex.: mar, andar);
    • O r vem depois de vogal (quase sempre a/e/i/o/; raramente vem junto com u)
    • O r modifica o sentido da palavra;
    • As palavras com r no final podem ter uma ou mais sílabas;
    • A maioria dessas palavras são verbos.

  1. As palavras do grupo D: podem ser divididas em dois grupos:
    • Aquelas em que a consoante (diferente do R), o R e a vogal estão na mesma sílaba;
    • Aquelas em que a consoante (diferente do R) está em uma sílaba e o R e a vogal estão em outra (ex.: honra).

  1. Analisar os dois grupos de palavras com os alunos.
Palavras em que CRV (consoante+r+vogal) estão na mesma sílaba: cravo. braço, prego, fraco, dragão, graveto, cravo.
    • O r não vem com qualquer consoante: aparece com P B D F G C T;
    • A língua vibra ao pronunciar a sílaba;
    • O r muda o som da consoante e o sentido da palavra.

Palavras em que o R e consoante estão em sílabas separadas: (enredo)
  • O som é forte;
  • Aparece com N, L e S.

Obs.: Estas atividades devem ser feitas em etapas e não todas de uma vez;
          Estas atividades podem ser desenvolvidas com o L, M, N, S, uso de letra maiúscula, entre outras.

 
Diversidade textual: gêneros e tipos
(Compilado do Programa Gestar II – versão preliminar/2003)

Cleide Pereira Gomes
texto

         Texto é toda e qualquer unidade de informação no contexto da interação; entende-se por interação como uma ação entre sujeitos, entre interlocutores. Um texto pode ser oral ou escrito, literário ou não literário, de qualquer extensão.

Gêneros textuais

         Gêneros textuais são as diferentes maneiras de organizar linguisticamente as informações no texto, de acordo com a finalidade, com o papel dos interlocutores, com as características da situação.
         Aprendemos a reconhecer e utilizar gêneros textuais no mesmo processo em que "aprendemos" a usar o código linguístico: reconhecendo intuitivamente o que é semelhante e o que é diferente nos diversos textos. O reconhecimento dos padrões de organização de textos depende do que já assimilamos sobre o que seja, por exemplo, uma biografia, uma receita, uma nota de compra, um bilhete, uma carta, uma propaganda, uma conversa de telefone etc., é necessário saber ler e exercitar a competência sociocomunicativa, o conhecimento de mundo - vivência, história de vida.
         Competência sociocomunicativa é a capacidade de perceber as diferenças na organização dos textos.
         Cada um de nós desenvolve diferentes formas de "ver" o mundo, inclusive o mundo das palavras, por diferentes "óculos" que  nos são colocados pela cultura em que estamos inseridos e pelas nossas experiências pessoais. Correspondendo a essas diferentes formas de "ver", agimos e reagimos.
         Também no uso da linguagem utilizamos esses "óculos" que adquirimos enquanto vamos aprendendo a falar (e escrever). Isso a que estamos chamando figurativamente de "óculos" são as nossas competências sociocomunicativas. Nós, quando crianças, não adquirimos apenas o código linguístico de nossos pais ou de nossa comunidade, adquirimos também maneiras de "ver" o mundo e organizá-las linguisticamente, ou seja, aprendemos também comportamentos linguísticos: o que pode, ou deve, ser dito, o que não pode, ou não deve ser dito, como pode, ou deve, ser dito, em qual situação etc.
         Portanto, do mesmo modo que desenvolvemos uma competência linguística quando aprendemos o código linguístico, desenvolvemos uma competência sociocomunicativa quando aprendemos comportamentos linguísticos. A identificação dos gêneros está incluída nesta competência sociocomunicativa (relações sociais entre interlocutores e finalidades do texto).
         Toda nossa comunicação se dá por textos. E todo texto, por sua vez, se realiza em um gênero.
         Gêneros textuais são realizações concretas definidas por propriedades sociocomunicativas; é a situação de produção de um texto que determina em que gênero ele é realizado.
         Por isso, gêneros não se definem por aspectos formais ou estruturais da língua: estão ligados à natureza interativa do texto, ou seja, à sua funcionalidade, ao seu uso.
         É pelo desenvolvimento da competência que aprendemos a organizar e a identificar os diferentes gêneros textuais.
         Como o gênero é uma unidade sociocomunicativa, a sistematização no aprendizado e no ensino de gêneros leva em consideração várias características, que podem ser ligadas ao tema, ao modo de organizar as informações no texto, ao uso que se faz do texto nas práticas sociais e discursivas.
         Algumas vezes, um texto é intencionalmente usado em um contexto, uma situação sociocomunicativa, diferente do contexto em que o gênero é normalmente produzido. Consegue-se, com isso, um efeito comunicativo de impacto, mas um outro gênero é produzido.
         Também o oposto pode acontecer: informações diferentes podem ser organizadas segundo um mesmo padrão e, apesar de diferentes textos, o mesmo gênero é realizado.
         O mais importante, porém, é reconhecer que a identificação, e consequentemente, a classificação de gêneros resulta de um "jogo" de fatores linguísticos e sociais; cada um desses fatores sozinho não pode ser utilizado para classificar um determinado gênero. Mais ainda: os textos também podem apresentar uma mistura de gêneros, com predominância de um. Por isso as classificações devem sempre levar em consideração a finalidade para a qual o texto é constituído.

         Podemos considerar que os gêneros dividem-se em dois grandes grupos:
1.     os literários - entre eles está o gênero poético, composto por poemas, põem, em geral, em relevo o plano da expressão, da sonoridade, do jogo de imagens, mas a definição do que seja texto literário, ou poético, pode variar, segundo as classes literárias;
2.    e os não literários (funcionais ou utilitários) têm como finalidade maior a informação e, por isso, aspectos estéticos da linguagem - ou exploração do plano sonoro ou da linguagem figurada- são considerados em segundo plano.

         A maneira de trabalhar com as palavras, explorando a sonoridade, suas significações, as imagens sonoras e poéticas que criam, constitui o traço mais marcante do gênero poético. Essas características associadas à finalidade da produção de um gênero poético, ao papel que se espera dos interlocutores, compõem o que chamamos a função sociocomunicativa do gênero poético.
       No gênero poético, a função sociocomunicativa visa à exploração estética da linguagem, tanto para quem produz quanto para quem lê, ou ouve. Por isso, os temas do gênero poético podem ser bem diversificados e cada época e lugar, ou escola literária, costuma definir suas prioridades temáticas. Também as exigências formais, como as rimas ou métrica, variam de época para época, ou de escola para escola literária.
         Apesar de todas essas possibilidades de variação, o texto literário se caracteriza pala exploração de imagens que as palavras podem criar e pela finalidade de proporcionar prazer aos leitores ou ouvintes.

         Situação de produção – ao produzir um texto oral ou escrito é necessário considerar e definir:

  1. tema ( assunto);
  2. objetivo ( o porquê);
  3. finalidade (função social: vender, comunicar, deleitar);
  4. gênero (contemplar os elementos constitutivos)
  5. interlocutores (de quem  para quem);
  6. linguagem (formal ou informal);
  7. suporte (onde será publicado: livro, jornal, CD, caderno etc.).

Tipos textuais

Sequencias tipológicas: descrição e narração

         Definem-se tipos textuais pela forma em que as informações são organizadas nos textos; pela predominância das categorias gramaticais que levam o leitor/ouvinte a compreender o texto. Estas estruturas linguísticas servem de "pistas" para a construção da significação textual: uma sequencia descritiva pode ser comparada a um retrato, ou uma pintura; uma sequencia narrativa pode ser comparada a um filme.
         Nas sequencias descritivas, a ordenação dos fatos ou episódios não é relevante. As sequencias narrativas, ao contrário, caracterizam-se justamente pela "evolução" dos fatos, pela mudança de estado, pelas relações de consequência.
         Como os tipos costumam aparecer mesclados nos textos empíricos, às vezes, torna-se difícil distinguir as sequencias exatamente; só pelo reconhecimento da predominância de um dos tipos, com uma leitura global do texto, é que isso se torna possível.

 Sequencias tipológicas: injuntivo ou instrucional e preditivo

         Sequencias tipológicas injuntiva ou instrucionais têm por objetivo instruir o leitor/ouvinte sobre alguma coisa. Por isso, as formas verbais mais frequente empregadas estão no  modo imperativo. Por delicadeza, para utilizar uma linguagem mais polida, a intenção de ordem pode ser expressa por perguntas ou por incentivos a alguma ação. O importante é que sequenciam instrucionais caracterizam-se por fazer o interlocutor executar alguma ação. A ordenação das ações, por isso, pode ser relevante e a sequencia entre os enunciados pode corresponder a uma conexão necessária entre os atos a executar.
         Sequencias preditivas têm por objetivo fazer o leitor/ouvinte acreditar em um estado de coisas que ainda está por acontecer. Por isso, predominam os verbos nos tempos futuros e os conectores lógicos não são importantes. Pode-se perceber, formalmente, uma semelhança com a descrição de uma situação futura: uso de verbos de estado e de frases nominais.

Sequencias tipológicas: dissertativo

         Enquanto o tipo descritivo enumera as características de um ser (pessoa ou coisa) e o narrativo apresenta uma sequencia de ações, o tipo dissertativo caracteriza-se por descrever, interpretar, explicar ou expor ideias ou conceitos.
       Quando o objetivo explícito do texto é apenas apresentar as ideias, sem objetivar convencer o leitor/ouvinte, dizemos que se trata de texto expositivo.
         Quando existe o objetivo explícito de fazer o leitor/ouvinte acreditar nas ideias expostas, dizemos que o texto é argumentativo.
         Um texto dissertativo organiza-se sempre em torno de uma ideia central, para qual outras ideias (secundárias) servem de apoio. Essa ideia central pode ser denominada tese; as outras são os argumentos que dão sustentação à tese.
         É comum o texto dissertativo, especialmente o argumentativo, fazer uso de citação de outras pessoas, como também é comum utilizar sequencias de outros tipos como parte do desenvolvimento de suas ideias.

A inter-relação entre gêneros e tipos textuais

Gêneros textuais e sequencias tipológicas

         Os critérios de definição para gêneros textuais incluem, além do plano composicional - ou das estruturas linguísticas - fatores "exteriores" ao texto: os objetivos, os interlocutores, as relações sociais entre eles, a formalidade e as exigências da situação etc. Esses fatores são historicamente construídos e, apesar da aparente liberdade na construção dos gêneros, o falante mais atende a "direcionamentos" culturais para suas escolhas do que faz, de fato, valer seu arbítrio.
         Os tipos textuais, definidos pela predominância das características linguísticas, compõem o plano composicional dos gêneros: aparecem na forma de organização do texto. Podem servir também como parte na classificação dos gêneros quando são necessários ou ocorrem com muita frequência em um ou outro.
         De qualquer maneira, é inevitável a articulação entre gêneros e tipos, pois nestes se constroem linguisticamente aqueles.

sequências tipológicas e gêneros textuais

         Partindo-se do pressuposto de que é impossível nos comunicarmos sem realizar um gênero, temos também de reconhecer que há sequencias de enunciados que se estruturam linguisticamente de acordo com certa forma de organizar as informações no pensamento. Essa construção mais formal, mais teórica, definida pela natureza linguística de sua composição, chamada tipo textual, integra o plano composicional dos gêneros, e serve, muitas vezes, para caracterizá-los.
         Assim, um gênero compõe-se de várias sequencias tipológicas diferentes, e as variadas sequencias tipológicas que compõem um gênero também podem ser muito heterogêneas, mas estão sempre muito interligadas, pois se prestam à finalidade da realização desse gênero.
         É por um complexo de propriedades comunicativas, estilísticas e composicionais que distinguimos um gênero de outro, não apenas por uma delas. É na dimensão composicional que podem ser focalizadas as sequencias tipológicas.

A intertextualidade entre os gêneros

         Como produtos sociocomunicativos, os gêneros textuais não comportam uma classificação pré-determinada, ou exaustiva. E essa flexibilidade se estende também à própria capacidade de usar um gênero típico de uma situação em outra situação sociocomunicativa. Ou seja, em cada situação os gêneros podem "migrar" de uma formatação específica para outra, buscando objetivos sociocomunicativos diferentes.

         Esse caminho - de transferências de um gênero para outro - também vale para a produção de textos na escola. Os textos são escolares na medida em que são construídos na escola, mas buscam sempre "reproduzir" gêneros que têm vida também fora dos limites escolares. Não deixam, no entanto, de ser objetos válidos e pertinentes no processo de ensino-aprendizagem. Por isso, é importante reconhecer que a circulação de gêneros na escola deve ser muito variada para que seja possível articulá-la com a circulação de gêneros fora da escola e as práticas escolares sejam as menos artificiais possíveis.
         Já sabemos que nos comunicamos por textos. Também já sabemos que os textos realizam gêneros diversos, os critérios definidores incorporam aspectos exteriores da utilização dos textos: os objetivos sociocomunicativos, os interlocutores, etc. (situação de produção). Os tipos classificados segundo as estruturas linguísticas que compõem o plano composicional dos gêneros.  Tais como descritivos, narrativos, injuntivos, preditivos, expositivos e argumentativos integram textos de diversos gêneros.
         Chamamos de plano composicional à organização linguística de um texto, ao conjunto de estruturas linguísticas que são utilizadas para compor o texto. Observamos o plano composicional quando identificamos as palavras, as frases, as orações  que realizam o gênero textual.

Reconhecer as sequencias tipológicas que “preenchem” um gênero textual é um dos passos para entender os princípios que regem a organização e o funcionamento dos gêneros textuais.

OBSERVAÇÃO: Os tipos e gêneros ocorrem, simultaneamente, nos textos.
      
       É um volume que integra uma coleção denominada Aprender e Ensinar com Textos. Cada um dos seis capítulos é assinado por um autor diferente e, além de uma introdução teórica, abordam gêneros como mito, conto, cordel, discurso político e divulgação científica. Mesmo a parte teórica, trata de várias propostas de tipologias no campo da linguística, está fartamente recheada de exemplos e análises textuais. É uma obra recomendável não apenas pelas reflexões que propõe.

Tipos de textos

v  Características:  
1.     classificação fechada;
2.    são definidos pela forma de organização das ideias - forma de organizar é fixa;
3.    são sequencias de enunciados;
4.    são classificados em termos de predominância, não há um tipo puro num texto- é preciso identificar as predominâncias;
5.    está relacionado a gramática;
6.    trabalha com o campo composicional;

Classificação:
  1. narrativo;
  2. descritivo;
  3. dissertativo (expositivo e argumentativo);
  4. injuntivo ou instrucional;
  5. preditivo.
Narrativo:
1.     predominância de verbos de ação;
2.    contempla uma relação de anterioridade e posterioridade marcada pelo tempo verbal no passado;
3.    apresenta fatos e mudanças de estado numa sequencia temporal;
4.    a ordem em que ocorrem os fatos é relevante.

Descritivo:
1.  enumera aspectos físicos e psicológicos de um ser;
2.  as informações acontecem simultaneamente;
3.  a ordem dos fatos não é relevante, porque as mudanças de sequencias não prejudicam o entendimento do texto;
4.  sintagmas nominais (frases sem verbo).

  Dica: contou mudança= é narração/ não contou mudança= é descrição

Dissertativo-organiza-se em torno de uma tese  
1.    Expositivo e
2.   Argumentativo.

Expositivo: (descrição de ideia ou conceito)
1.     apresenta ideias sem objetivar convencer o leitor/ouvinte;
2.    se organiza em torno de uma ideia principal;
3.    a sequencia cronológica não é relevante;
4.    valoriza a relação de causa e consequência.

Argumentativo:
1.     apresenta ideias com objetivo explícito de fazer o leitor/ouvinte acreditar;
2.    valoriza a relação de causa e consequência;
3.    a sequencia cronológica não é relevante;
4.    se organiza em torno de uma ideia principal (tese).

Injuntivo:
1.     levar o interlocutor a fazer alguma coisa através de pedido, convocação ou ordem;
2.    gramaticalmente pode ser identificado como vocativo;
3.    as frases podem aparecer no modo imperativo ou em formas de perguntas.

Preditivo:
  1. fazer o interlocutor acreditar em algo que não aconteceu ainda;
  2. verbos no futuro do presente;
  3. verbos que indicam ação;
  4. uso de frases nominais.

Gêneros textuais:

  1. literário – finalidade = fruição - emoção (dar prazer), não ter compromisso de dizer nada, não é informar, passa pelos órgãos dos sentidos: sensorial, emocional e racional;
  2. não literário – finalidade = informação/ razão.

v  Cada gênero textual tem uma finalidade, atender uma necessidade sociocomunicativa. Portanto, exige-se forma diferenciada de trabalhar (estratégias diferenciadas).

v  Para trabalhar gênero é melhor levá-lo no documento de origem, pois a cópia, quando trabalhado na escola, passa a ser gênero escolar.  Portanto, deve-se trabalhar com gêneros reais e não com gêneros escolares, ou seja, trabalhar como ele se apresenta – quando utilizar, por exemplo, manual de instrução, usar o próprio e não cópia dele.

 

v  Características:  

  1. são infinitos e móveis – compõem uma lista de classificação aberta (nota fiscal, hand out, calendário, folder, panfleto oficina, aula, palestra, conferência teatral, político, crônica...;
  2. são definidos e organizados de acordo com a situação sociocomunicativa em que ocorre;
  3. muda de um gênero para outro de acordo com a finalidade;
  4. artefato cultural que vai sendo construído ao longo do tempo– é construído e vai mudando de acordo com a cultura;
  5. o suporte muda, interfere nas características;
  6. está relacionado a interlocução inclui quem usa a linguagem e não só estrutura;
  7. forma de interação;
  8. podem ter a classificação alterada se a relação entre os interlocutores mudar.

Observação: posso escolher o gênero antes do tipo, porém, não posso escolher o tipo antes do gênero.

         Vamos comparar dois textos e verificar quais foram as escolhas de Marisa em termos de sequencias tipológicas.

Sequencia

Cartão postal
Carta comercial



Injuntiva


Oi, pessoal! Carlos e demais colegas trabalhadores!

Curte essa, cara!
Abraços a todos!
Sr. Carlos Ferreira
Coordenador de vendas


Prezado senhor
Atenciosamente,



Narrativa



No fim de semana tô me divertindo pacas!
As organizações com a Organização Jasmin Ltda. Já foram concluídas com sucesso, mas o contrato aguarda ainda a assinatura de um de seus diretores.


Expositiva



    ___________
Não poderei estar de volta antes da próxima terça-feira, dia 8 de outubro.
Descritiva
O céu é lindo e a lua na beira do lago mais ainda. O pessoal é legal e os agitos são pra turista nenhum botar defeito.


     ______________
Argumentativa
Vocês estão pensando que aqui só se trabalha? Engano federal!
Tendo em vista que [...] informo que [...]

         Nesses exemplos podemos notar que nem todos os tipos se realizam em todos os gêneros. Nem um gênero realiza apenas um tipo. É interessante observar que a sequencia argumentativa na carta está intercalada por uma sequencia narrativa e por uma sequencia expositiva. Ou seja, aí as sequencias narrativa e expositiva estão a serviço do tipo argumentativo. De forma paralela, dependendo da interpretação que dermos ao envio do cartão postal, podemos também considerar que todas as sequencias tipológicas do postal estão a serviço de um tipo subentendido, o expositivo – um enunciado de interligação de fenômenos.
         Outra observação que podemos fazer a partir dessa comparação é que os próprios tipos textuais variam em termos de realização lexical e de formalidade num e noutro gênero. Temos o exemplo do injuntivo que informalmente é “Oi, pessoal!” e formalmente “Sr. Carlos Ferreira”, ou “Abração pra todos”, no postal, e “Atenciosamente”, na carta comercial.
         Nas sequencias narrativas também vemos essa diferença, de registro formal/informal, motivada pelo relacionamento social dos interlocutores nas duas diferentes situações. Essas diferenças são a expressão da intersubjetividade – ou estilo – dos falantes.


Fundamentação teórica:

Dionísio, A. P., Machado, A.R. & Bezerra, Mª (org.). Gêneros textuais & ensino. Rio de Janeiro: Ed.          Lucerna Ltda., 2002.

Trata-se de uma obra em duas partes, compostas por oito artigos na primeira parte - "Suportes teóricos e práticas de ensino" - e sete na Segunda parte - "Gêneros textuais na mídia escrita e ensino". São todos escritos por pesquisadores com grande experiências na área da linguagem e na do ensino. Destaca-se especialmente o capítulo "Gêneros textuais: definição e funcionalidade", por Luiz Antônio Marcuschi, pioneiro nos estudos no Brasil e respeitado pensador a respeito do tema: é hoje um dos autores mais citados quando se trata de gênero textual.

BRANDÃO, H. N. (Coord.). Gêneros do discurso na escola. São Paulo: Cortez, 2000.
 
Projeto de aprendizagem
O que é?
O termo projeto é bastante recente em nossa cultura. São associadas a este termo diferentes acepções: intenção (propósito, objetivo, o problema a resolver); esquema (design); metodologia (planos procedimentos, estratégias, desenvolvimento). Assim, podem ser concebidas a atividade intelectual de elaboração do projeto e as atividades múltiplas de sua realização.
Projeto de Aprendizagem – Conforme Schlemmer (1999), é uma metodologia onde se busca aprender e aprofundar conceitos através de procedimentos que ajudam o sujeito a desenvolver a capacidade de continuar aprendendo por meio da pesquisa, favorecendo a cooperação.
A Pedagogia de Projetos surge da necessidade de desenvolver uma metodologia de trabalho pedagógico que valorize a participação do educando e do educador no processo ensino- aprendizagem, tornando-os responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de cada projeto, bem como da formação de um sujeito que saiba cooperar, ter autonomia e ser, socialmente, consciente.
A Pedagogia de Projetos apresenta como um princípio ativo e integrador e objetiva minimizar a artificialidade da escola e aproximá-la, o mais possível, da realidade e da vida do aluno.
Essa Ideia surgiu nos Estados Unidos, concebida pelo filósofo John Dewey, sendo uma das primeiras aplicações no Brasil, em escolas de Minas Gerais, através de Miguel Arroyo.
É um trabalho capaz de fazer a escola ir além dos muros, considerando as imensas possibilidades que o contexto exterior a escola oferece além de dar maior flexibilidade a organização dos currículos, uma vez que trabalha com conteúdos integrados. (Martins, 2001, p.34)
Um projeto gera situações de aprendizagens, ao mesmo tempo reais e diversificadas, favorece a construção da autonomia e da autodisciplina já que o aluno busca e consegue informações; lê, conversa, problematiza; faz investigações, formula hipóteses, anota dados, calcula, reúne o necessário, e por fim, converte tudo isso em ponto de partida para a construção e ampliação de novas estruturas cognitivas, tornando-se o sujeito de seu próprio conhecimento.
Os conteúdos disciplinares, antes teóricos e abstratos, deixam de ser um fim em si mesmo e passam a ser meios para ampliar a formação dos alunos e sua interação com a realidade, de forma crítica e dinâmica.
A pedagogia de Projetos não existe sem interdisciplinaridade, visando sempre a formação do cidadão integral. Transcende até, a interdisciplinaridade, pois vá além do cognitivo.
Um sujeito integral é aquele que desenvolve o cognitivo, a afetividade, o desenvolvimento motor, a inserção social, suas relações inter e intrapessoais, suas diferentes formas de expressão, desenvolve um olhar crítico sobre questões sociais e tem atitudes frente a isso. ( Nogueira, 2001, p.29).
Um projeto busca estabelecer conecções entre vários pontos de vista, contemplando, uma pluralidade de dimensões.
Um projeto de aprendizagem nasce de curiosidades ou temas que interessam a um grupo de estudantes que necessitam de informações diversificadas. Estes temas, em função da sua abrangência e quantidade de dados que geram, levam os estudantes a estabelecer relações entre informações de diversas áreas, favorecendo a interdisciplinaridade.
ETAPAS DE UM PROJETO DE APRENDIZAGEM
  1. Planejamento – o quê, por que, como, quando, quem, onde – é importante que os anseios dos alunos sejam considerados nesta etapa, inclusive buscar a participação dos mesmos.
  2. Execução/Realização – Momento em que todos põem a mão na massa. É o momento em que acontece a pesquisa realizada pelos alunos mediados pelos professores. Neste momento o professor deve estar sempre estimulando a busca de novos conhecimentos e atento a novos problemas que poderão surgir.
  3. Depuração - (autocrítica e autoavaliação) é o momento em que se observam e criticam as fontes de pesquisa, aprofunda-se o detalhamento dos temas relevantes e acontecem as melhorias das pesquisas. É fundamental esse momento para que o projeto realmente produza o conhecimento.
  4. Apresentação e exposição – após as melhorias é relevante compartilhar o conhecimento produzido individual e/ou pequenos grupos para os demais colegas.
  5. Avaliação e críticas – é importante que essa etapa seja coletiva e participativa, para que realmente possa acontecer a cooperação na melhoria do projeto como um todo. Este é o momento da avaliação final do processo de aprendizagem ocorrido através do projeto, nesta etapa pode surgir novos problemas que podem gerar projetos posteriores.
  6. Observação importante: Uma das ênfases da Pedagogia de Projetos é levar à metacognição, isto é, a capacidade de refletir sobre sua forma de pensar, descobrindo e analisando quais os mecanismos são utilizados neste processo de pesquisa, vivência, integração e descoberta.
Ensino X Aprendizagem
Autoria.
Quem escolhe o tema?
Professores, coordenação pedagógica
Alunos e professores, individualmente, e, ao mesmo tempo, em cooperação
Contexto
Arbitrado por critérios externos e formais
Realidade da vida do aluno
A quem satisfaz?
Arbítrio da sequência de conteúdos do currículo
Curiosidade, desejo, vontade do aprendiz
Decisões
Hierárquicas
Heterárquicas
Definições de regras direções e atividades
Impostas pelo sistema, cumpre determinações sem optar
Elaboradas pelo grupo, consenso de alunos e professores
Paradigma
Transmissão do conhecimento
Construção do conhecimento
Papel do professor
Agente
Estimulador/orientador
Papel do aluno
Receptivo
Agente

Organização do projeto
Ao se pensar no desenvolvimento de um Projeto, a primeira questão colocada diz respeito a como surgem esses projetos e, principalmente quem propõe o tema para o projeto. O importante é o envolvimento de todo o grupo com o processo.
O que caracteriza o trabalho com Projetos não é o fato da temática surgir dos alunos ou professores, mas o tratamento dado a esse tema no sentido de torná-lo uma questão do grupo como um todo e não apenas de alguns ou do professor.
Nesse sentido, os problemas ou temática podem surgir de um aluno em particular, de um grupo de alunos, da turma, do professor ou da própria conjuntura. O que se faz necessário garantir é que esse problema passe a ser de todos com um envolvimento efetivo na definição dos objetivos e das etapas para alcançá-lo.
O Projeto deve ser desenvolvido com os alunos e não para os alunos.
Problematização
É o ponto de partida, o momento detonador do projeto. Nessa etapa inicial, os alunos irão expressar suas ideias, crenças, conhecimentos sobre o problema em questão. Este passo é fundamental, pois dele depende todo o desenvolvimento do projeto. Os alunos não entram na escola como uma folha em branco, já  trazem, em suas bagagens, hipóteses, concepções sobre o mundo que o cerca. E é dessas hipóteses que a intervenção pedagógica precisa partir, pois, dependendo do nível de compreensão inicial dos alunos, é evidente que o processo toma um ou outro caminho.
É na fase de problematização que o professor detecta o que os alunos já sabem e o que ainda não sabem sobre o tema em questão. É, também, a partir das questões levantadas nesta etapa que o projeto é organizado pelo grupo.
Desenvolvimento
É momento onde se criam as estratégias para buscar respostas às questões e hipóteses levantadas na problematização. Aqui, também, a ação do sujeito é fundamental. Por isso, é preciso que os alunos se defrontem com situações que os obriguem a confrontar pontos de vistas, rever suas hipóteses, colocar-se novas questões, confronta-se com novos elementos postos pela ciência. Para isso, é preciso que se criem propostas de trabalho que exijam  saída do espaço escolar, a organização em pequenos e grandes grupos, o uso da biblioteca, a vinda de pessoas convidadas à escola, entre outras ações. Nesse processo, os alunos têm que utilizar todo o conhecimento que têm sobre o tema e se defrontar com conflitos, inquietações que as levarão ao desequilíbrio de suas hipóteses iniciais.


Síntese
Em todo esse processo, as convicções iniciais vão sendo superadas e outras mais complexas, vão sendo construídas.
 As novas aprendizagens passam a fazer parte dos esquemas de conhecimento dos alunos e vão servir de conhecimento dos alunos, servindo de conhecimento prévio para outras situações de aprendizagem.
Atividades Disparadoras
São as atividades necessárias para motivar os alunos no desenvolvimento do Projeto. Ex.: filmes, passeios, palestras etc..
Tema gerador
A escolha do tema deve ser relevante para o aluno construir/investigar e viabilizar a construção do conhecimento. Tema Gerador é quando a comunidade escolar escolhe um tema para ser desenvolvido em todas as áreas do conhecimento. Isto é tema comum para as diversas disciplinas. É uma proposta pedagógica elaborada por Paulo Freire composta de uma sequência de ações envolvendo toda comunidade escolar (professores alunos e familiares).
Certezas Provisórias
É o conhecimento que se tem sobre o tema proposto. Todos podem aprender com todos, inclusive o educador. É fundamental a valorização da experiência que cada um carrega consigo na formulação do problema e no desenvolvimento do projeto de aprendizagem.
Problemática
É a situação que motivou o aluno a despertar seu interesse sobre o tema escolhido.
Dúvidas provisórias
É o que se quer conhecer (descobrir) a respeito do assunto. São os questionamentos que irão nortear a pesquisa, a investigação.
Estratégia para solução
São os passos necessários para o desenvolvimento da pesquisa (de que forma vai ser desenvolver a pesquisa): levantamento de dados, fonte de pesquisa etc..
Registro da Produção e Reflexão dos dados Coletados
Que aplicativos foram utilizados e de que forma esses aplicativos foram trabalhados.
Execução das Estratégias
Formação da equipe, distribuição das atividades, elaboração do material.
Observações no decorrer do Projeto
Fique atento ao desenvolvimento de seu projeto, avalie sempre e verifique se suas dúvidas temporárias estão sendo esclarecidas e se surgiram novas. Observe o ciclo de aprendizagem: descrição; execução; reflexão; depuração.
A escrita
q  Nome do Projeto.
q   Professor (a)/(es) Parceiro (s).
q   Escolas onde o projeto será desenvolvido.
q   Descrição do projeto (objetivos e justificativa/s).
q   Questões de investigação – (norteadoras do tema).
q   Procedimentos de trabalho (metodologia/passos do projeto).
q   Área de conhecimento principal – Ex.: Drogas (ciências).
q   Área de conhecimento secundário – Língua Portuguesa, História, Matemática etc..
q   Número de participantes.
q   Período provável de desenvolvimento do projeto.
q   Informações complementares ( visitas a museu, palestras, filmes, entrevistas etc.).
q  Bibliografia.
q  Obs.: seguir as normas da ABNT.



OS NOVOS ESPAÇOS DE ATUAÇÃO DO PROFESSOR
A sala de aula será, cada vez mais, um ponto de partida e de chegada, um espaço importante, mas que combina com outros espaços para ampliar as possibilidades de atividades de aprendizagem.  José Manuel Moran (2002).                   
A função da biblioteca escolar é transformar teorias em prática, alertando os professores sobre a importância da utilização da biblioteca, lugar muitas vezes escondido e esquecido, mas que caracteriza uma espécie de tesouro ainda não muito explorado. (Calixto, José Antonio).
O Papel fundamental do vídeo na escola está na possibilidade de mostrar a realidade à criança de forma indireta, toda vez que não for possível a observação direta. O vídeo não substitui a realidade, mas permite torná-la mais próxima. (caderno TV escola/MEC).
EXEMPLOS DE POSSIBLIDADES: temas geradores: figuras, filmes, músicas etc..
Figuras – exemplos:
Filmes: escolher com os alunos.
Músicas: escolher com os alunos.
Etc.: os alunos sugerem os temas.
Início: os novos espaços do professor.
Bibliografia
Possibilidades interdisciplinares
TEMAS GERADORES do projeto de aprendizagem – o mesmo para as diferentes áreas.
Língua Portuguesa
q  O QUE É O PROJETO?
q  PARA QUE SERVE?
q  ETAPAS DO PROJETO
q  DIFERENÇA ENTRE PROJ. DE ENSINO E APRENDIZAGEM.
q  QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO.
História
q  PRESSUPOSTOS TÉORICOS
q  PENSADORES ( John Dewey)
q  LINHA DO TEMPO.
Geografia
q  INSERÇÃO DE MAPAS;
q  LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DAS REGIÕES PESQUISADAS;
q  VALORIZAÇÃO DA REGIONALIDADE.
Ciências
q  CERTEZAS E DÚVIDAS PROVISÓRIAS
q  PESQUISAS DE CAMPO.
Arte
q  ANÁLISES DE IMAGENS;
q   PAISAGEM NATURAL E MODIFICADA
q  PERCEPÇÃO AUDIO-VISUAL
q  RELEITURA DE IMAGENS.
Educação Física
q  AUTOESTIMA;
q   DIVISÃO DE HABLIDADES E COMPETÊNCIAS;
q  ESPÍRITO DE COMPETITIVIDADE/SOLIDARIEDADE.
Matemática
q  USO DA AUTOFORMAS NA GEOMETRIA;
q  USO DAS FERRAMENTAS DE DESENHOS NA CONSTRUÇÃO DOS SLIDES;
q  UTILIZAÇÃO DO EXCEL NA CRIAÇÃO DE GRÁFICOS E PLANILHAS.
Bibliografia
Demo, Pedro (1998). “Educar pela Pesquisa”, Campinas: Autores Associados.
Feitosa, Aparecida C.(2004) O ambiente informatizado no desenvolvimento dos projetos de aprendizagem, texto extraído da Dissertação de Mestrado.
Martins, J. S. (2001) “O trabalho com Projetos de Pesquisa: do Ensino Fundamental ao Ensino Médio”, Campinas: Papirus.
Moran, J. M. e Masetto, M. T. e Behrens, M. A. (2000) “Novas Tecnologias e Mediação PNogueira, N. R. (2001) “Pedagogia de Projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das Múltiplas Inteligências”, São Paulo: Érica
Schlemmer, E.  (2001) “Projetos de Aprendizagem Baseados em Problemas: uma metodologia interacionista/construtivista para formação de comunidades em Ambientes Virtuais de Aprendizagem”, Revista Digital da CVA, Curitiba, v.1, n.1 –
Vinholi, Maria da Graça G.(2004), Articulando Saberes através da Pedagogia de Projetos, texto mímeo.



“ler é mais importante do que estudar”
(Ziraldo e Cleide Pereira Gomes)

“... se a escola desenvolver o gosto e hábito pela leitura terá cumprido seu papel”.
(Carlos Cagliari, Ruben Alves e Cleide Pereira Gomes).

“... minhas dúvidas são temporárias. Minhas certezas provisórias”
(Léa Fagundes e Cleide Pereira Gomes)


 
PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS
COORDENADORIA DO ENSINO FUNDAMENTAL - 6º ao 9º
NÚCLEO DE LINGUAGENS – NULING












O FILME EM AÇÃO











Cleide Pereira Gomes







Campo Grande/MS

01-   Informações sobre a atividade

·        Título: O Filme em ação

·        Coordenadora:  Cleide Pereira Gomes/Professora de Língua Portuguesa
·        Executora: ________________________________________________
·        Local: Escola Municipal _____________________________________
·        Início e término:  conforme cronograma das aulas planejadas
·        Número de participantes: aproximadamente ______ alunos

02-   Apresentação

Ao nos colocar no centro da fantasia, da interpretação da realidade, da conotação e da paixão pela forma, ao criar as muitas possibilidades de interpretação, a arte põe no fruidor a responsabilidade de descobrir significados, de jogar o jogo, de montar o quebra-cabeça. Assim, são convidados a atuar a sensibilidade e o espírito crítico do sujeito/aluno, qualidades fundamentais para o sujeito transformado em cidadão.
A arte é talvez o reduto especial em que, por meio da fantasia e do jogo, somos convidados à (re) interpretar o mundo. Ao nos expressarmos, desvendamos o mundo por meio de diferentes linguagens.
Nesse sentido, a arte é uma forma de conhecimento. No filme, as figuras de linguagem são usadas porque, às vezes, o sentido mais comum, o denotativo, das palavras não nos parece suficiente para expressar a carga de sentimentos que queremos revelar em certa situação sociocomunicativas, desse modo, ao assistir a um filme,os alunos internalizam múltiplas formas de se expressar oralmente e por escrito.
Desse modo, o filme é usado tanto como fonte de prazer e alegria, quanto de conhecimento e, também, como pretexto para consolidar habilidades de leitura, de escrita e construir os saberes de diferentes áreas. Trabalhar diferentes linguagens é uma prática obrigatória, visando melhorar a proficiências dos alunos no que se refere ao ato de ler e escrever.
Estudos científicos comprovam que ao assistir filmes, há uma atividade mental intensa, pois são feitas antecipações, hipóteses, inferências, entre outras estratégias. Esta atividade mental desenvolve habilidades importantes para a compreensão de textos mais complexos.
“É melhor ler do que estudar”, afirma com frequência o escritor Ziraldo. Evidentemente, que o ato de estudar é imprescindível para a aprendizagem, porém, o interesse de ler diferentes linguagens, entre elas a do filme, e compreender, certamente, vem em primeiro lugar uma vez que este pode, às vezes, transformar o aluno em pesquisador e, assim ser um buscador e formador de conhecimentos.

03- Justificativa

A maior dificuldade encontrada no meio escolar é a escassez de leitura e de produção textual por falta de acesso à literatura e a cultura. A diversidade de gêneros textuais é o portal dos saberes possibilitando transformar, aperfeiçoar e construí-los em todas as áreas do conhecimento.

 Assim, faz-se necessário possibilitar aos alunos a realização de aula-filme a fim de exercitar diferentes linguagens, favorecendo o exercício da cidadania e para proporcionar aprendizagem significativa por meio de atividades contextualizadas. A aula-filme visa efetuar um trabalho que contemple tanto o gênero filme quanto outros textos que circulam socialmente e os quatro eixos de Língua Portuguesa de maneira integrada.

           
                       
04-Objetivos

·        Vivenciar com os alunos possibilidades de aulas mais atraentes e motivadoras.
·        Trabalhar as dificuldades, necessidades e possibilidades de aprendizagens dos alunos.
·        Incentivar a apreciação da arte, interesse e valorização de tudo que se refere à Cultura.
·        Favorecer a colaboração, solidariedade, proporcionar maior entrosamento e parceria entre os alunos e o professor.
·        Desenvolver habilidades: lingüísticas, interpessoal e intrapessoal;.
·        Utilizar o filme como meio para a construção e expansão do conhecimento de forma lúdica e como incentivo ao processo de ensino e de aprendizagem.
·        Despertar o interesse à pesquisa com base para oralidade, leitura, produção de textos, análise e reflexão sobre a língua e sobre o gênero.
·        Produzir mudanças nos alunos no que se refere à expressão da arte.
·        Ampliar conhecimentos, mudar valores e, também mudar comportamentos em relação ao apreço à arte.
·        Trabalhar: variações lingüísticas; figuras de linguagem; pontuação; acentuação; concordâncias nominal e verbal; ortografia; segmentação de palavras e de frases; coesão; coerência; situação de produção do gênero filme:tema, finalidade, interlocutores.
·        Enriquecer o vocabulário.
·        Incentivar o uso de dicionário e de gramática.
·        Trocar experiências e vivências.
·        Aguçar a imaginação.
·        Desenvolver a iniciativa e a criatividade.


05- Metodologia

Este projeto incentivará o apreço pela arte e pela cultura aos alunos da Escola Municipal Professor Arlindo Lima, de forma diversificada, como a seguir:

·        conscientização, geral, da importância e necessidade da arte, bem como o uso constante do dicionário;
·        assistir ao filme proposto pela professora;
·        aprendizagem para registrar informações abstraídas do texto filme;
·        expressão, oral e/ou escrita, para o meio no qual está inserido;
·        produção de textos (verbais e não-verbais) alterando, ou não, a história contida no filme;
·        re-escrita de seu próprio texto quantas vezes forem necessárias, mantendo a coerência e a coesão textual;
·        leitura em voz alta de seu próprio texto;
·        fotografar e/ou filmar, se possível, para registro e montagem de painéis;
·        dramatização da história contida no filme;
·        organização de um livro coletivo com as produções dos alunos.

06- possibilidades de Atividades advindas da leitura do filme

1.     dizer o que mais gostou e porquê;
2.     falar sobre o que menos gostou e por quê;
3.     deixar claro se indicaria o filme visto para alguém ou não e por quê;
4.     elaborar livros individuais e/ou coletivos com os textos produzidos;
5.     pesquisar a respeito dos profissionais envolvidos no filme (Internet, livros, vídeos);
6.     fazer feiras de livros – convidar editoras e escritores;
7.     explorar a variedade lingüística, solicitando aos alunos que identifiquem as marcas lingüísticas (gírias, estrangeirismos, brasileirismos, neologismos) características de cada grupo social.
8.     transcrever as falas de personagens e posterior re-escrita adaptando à língua padrão escrita.
9.     explorar figuras de linguagens, solicitando aos alunos que registrem exemplos de usos de linguagem figurada nas falas dos personagens e depois re-escrevam os trechos usando linguagem denotativa.
10. expressar, oralmente e por escrito: se gostou ou não, o que mais chamou a atenção, quais temas foram abordados no decorrer do filme.
11. solicitar produção de diferentes gêneros, com base no filme, tais como: debate, poema, cordel, dramatização, desenho, história em quadrinho, crônica, mímicas, notícia dentre outros.

07- Recursos

·        Humanos:



- alunos e professores;
- equipe técnica pedagógica.




·        Materiais:



- papel sulfite
- filme (DVD)
-televisão ou
-data show
-tela
-caixa de som
- papel cartão
- canetinha
- caderno
- lápis
- caneta
- borracha
- cola
- cartolina
- régua


- dicionários
- gramáticas
- materiais para edição e impressão de livro
- outros, conforme necessidade



08- Processo de Avaliação

Por meio das leituras, da oralidade, das produções, da análise e reflexão sobre a língua e gêneros textuais dos alunos.
09- cronograma de Execução
Etapas
aulas

1ªAULA
2ªaula
3ºaula
4ªaula
5ªaula
Conscientização e motivação para assistir ao file.
X




Apresentação de slides sobre o filme
X




Assistir ao filme
 
X
X


Comentários e discussões sobre o filme



X

Atividades  advindas do filme e avaliação parcial.



 
X
Avaliação final




X





 





 


10-OBSERVAÇÕES





Coerência e Coesão Textual
Prática e teoria

1ª parte
Construindo o conceito

1.     Reescreva o texto seguinte, completando as lacunas com uma das palavras sugeridas entre parênteses. Ao escolher as palavras, você vai notar que é possível produzir diferentes textos. Contudo, procure manter a coerência de idéias.

A pessoa que me recebeu na casa  ______________ (elegante, chique, mal-assombrada, pobre) era uma _____________ (velha,garota, senhora, bruxa) de mais ou menos ______ (16, 30, 78, 140) anos, muito ______________ (simpática, interessante, feia, falante), de cabelos ____________ (longos, curtos, arrepiados, brilhantes, negros), nariz _______________ (arrebitado, adunco, pequenino, fino). Tinha um olhar ________________ (amedrontador, meigo, sereno, profundo)! Apresentou-se num ______________ (fino, elegante, asqueroso, sóbrio) vestido __________________ (preto, branco, cinza, cor-de-rosa) e convidou-me para entrar e tomar um suco. Eu ____________ (entrei, saí correndo, aceitei o convite) _______________________ ( agradecido, envergonhado, apavorado, tímido).

( Respostas pessoais. O importante é os alunos perceberem que, dependendo das escolhas que façam nas primeiras lacunas, as demais ficam condicionadas a elas, sob pena de se perder a coerência.).

2.    Leia este texto:

Os ursos pandas chineses já foram paparicados pelos ecologistas até o limite da chatice. Mas promete ser divertido vê-los num filme que começa a ser rodado no Himalaia pela Warner Brothers americana.
(Superinteressante, setembro/1994).

a)    Releia a 2ª frase do texto. O autor inicia com uma marca de coesão, a palavra, mas, que introduz um sentido de oposição. Uma idéia nova, que vai ser apresentada, será oposta a uma idéia da frase anterior. Quais são as idéias que estão em oposição?
( O autor opõe a idéia de “ser divertido” ver o filme à idéia da chatice do protecionismo excessivo dos ecologistas em relação aos pandas.).

b)   Outra marca de coesão existente na 2ª frase é o pronome los, em “vê-los”. Esse pronome é usado no lugar de um termo mencionado na 1ª frase do texto, evitando sua repetição. Qual é esse termo?
(Ursos pandas chineses).

3.    A repetição desnecessária e excessiva de palavras prejudica a coesão de um texto. Uma forma de evitar esse problema é substituir as palavras ou expressões repetidas por pronomes pessoais. Observe:
Os ursos pandas são admirados em todo o mundo. Agora os ursos pandas poderão ser vistos...

·         Veja como ficaria, com a substituição:

                   Os ursos pandas são admiradas em todo o mundo. Agora eles poderão ser vistos... ou Agora poderemos vê-los...

Perceba que tanto o pronome pessoal reto  eles quanto o pronome pessoal oblíquo los referem-se ao termo anteriormente mencionado: os ursos pandas.

·         Faça o mesmo. Substitua nas frases seguintes os termos destacados por pronomes:

a)    Os ecologistas  se preocupam demais com os ursos pandas, mas agora os ecologistas não terão mais com que se preocupar...
( ... mas agora eles...)

b)   Os tigres asiáticos sofrem o risco de serem extintos; porém, graças à ação dos ecologistas, tem sido possível manter os tigres asiáticos vivos.
(... mantê-los...)

c)    Saiu de sua cidade aos 15 anos de idade, mas nunca deixou de amar sua cidade.
(... nunca deixou de amá-la.)

d)   Escreva com o lápis, mas não use o lápis para coçar o ouvido.
(...não o use...)

e)   Maurício foi buscar seu primo; enquanto isso você fica sentado, esperando que Maurício traga seu primo.
(... esperando que ele o traga.)

4.    Observe este exemplo:

Tenho prova hoje. Não estudei nada.
Tenho prova hoje, mas não estudei nada.

As frases dos pares abaixo mantêm entre si uma relação lógica subentendida. Seguindo o exemplo, uma as duas frases em uma única, garantindo a coerência e a coesão das idéias. Para fazer a união, empregue conectivos como mas, porque, portanto, por isso, que, embora, apesar de, pois, e, porém etc.
(Professor: Sugerimos algumas respostas, previsíveis dentro dos limites do contexto oferecido. É claro que, se essas frases forem ditas em outros contextos não previstos, novas respostas serão possíveis.)

a)    Faço natação todos os dias. Faço judô duas vezes por semana.  (e, mas)
b)   Não estou me sentindo muito bem. Vou para casa.
 (por isso, portanto)
c)    Foi para casa. Não estava se sentindo muito bem.
 (pois, porque)
d)   Tomei um táxi até o aeroporto. Não consegui tomar o avião a tempo.
(mas, porém)
e)   Não consegui tomar o avião a tempo. Tomei um táxi até o aeroporto.
 (embora tenha tomado, apesar de ter tomado)
f)    O mecânico nos socorreu na estrada. Não conseguiu achar o defeito do carro.
(mas, porém)
g)   Vamos entrar. Vai chover.
 (pois, porque)
h)   Ele comeu tanto. Depois, sentiu-se mal.
(que)
i)     Nada o impedia de sair. Preferiu ficar.
 (mas, porém)



“Ler é mais importante que estudar”
                        (Ziraldo e Cleide Pereira Gomes)


Conceituando


Quando produzimos um texto, desejamos nos comunicar com nossos leitores, transmitir-lhes informações e modificar seu comportamento. Por essa razão, o texto não pode ser um aglomerado de frases sem conexão. Ele precisa apresentar textualidade , ou seja, ser bem-estruturado, ter palavras, frases e idéias articuladas entre si. Essa conexão é garantida pela coerência e pela coesão textual.

Coerência textual


  • Compare estes dois enunciados:

a)    “Ontem eu fui ao cinema, mas a garrafa caiu no chão. Apesar disso, lá o açougueiro tomou um táxi e empinou uma pipa.”
b)   “Ontem eu fui ao cinema, mas não gostei do filme. Apesar disso, lá comi pipoca e tomei refrigerante.”

Como se nota, dos dois enunciados, apenas o 2° (letra b) é bem-formado. As palavras, as orações e as frases que o compõem têm umas com as outras uma relação que  lhe confere sentido, fazendo-o ser um texto coerente. Assim, apenas o 2° (letra b) enunciado apresenta coerência textual, que é um dos requisitos da textualidade.
O 1° (letra a) enunciado, embora tenha construção semelhante à do 2° (letra b) enunciado, é incoerente, pois a relação existente entre as palavras, as orações e as frases não lhe confere sentido. O 1° (letra a) enunciado, portanto, não chega a construir um texto, isto é, não possui textualidade, pois lhe falta coerência textual.

Coerência textual são as articulações de idéias que conferem sentido a um texto.

Coesão textual


  • Agora compare estes dois enunciados:

a)     “Amo você. Não gosto de suas manias. Eu também tenho manias.”
b)     “Amo você, mas não gosto de suas manias, embora eu também as tenha.”

Perceba que nesse, caso, as idéias dos dois enunciados  têm coerência. Mas há uma diferença: somente no 2°(letra b) enunciado os articuladores das palavras e idéias estão explícitos: mas, embora e as. O conectivo  mas faz restrições ao amor afirmado anteriormente (não é um amor sem problemas); o conectivo embora introduz uma idéia de oposição (concessão), e o pronome as retoma a palavra manias para evitar a repetição.
Essas articulações gramáticas existentes entre as palavras, orações e frases conferem ao texto o que chama de coesão. A coesão é responsável pela clareza e precisão das idéias do texto. Um texto, para ter textualidade, precisa, além de ter coerência, estar bem-formado quanto aos elementos coesivos, ou seja, apresentar coesão textual.

Coesão textual são as articulações gramaticais existentes entre as palavras, orações, frases, parágrafos e partes maiores de um texto.

Tanto a coerência quanto a coesão são responsáveis pela construção do sentido do texto e, portanto, de sua textualidade.


2ª parte

textualidade, coerência e coesão

Leia esta tira de Angeli:


 










Texto explicativo retangular com cantos arredondados: AÍ, ELE QUIS COLOCAR OUTRO
E MAIS OUTRO, E OUTRO...
Texto explicativo em elipse: ACHEI  TODOS
LEGAIS,
BONITOS...









Texto explicativo em elipse: QUE ELE PODERIA TER PROBLEMAS.Texto explicativo em elipse: MAS,
EU
ALERTEI....
Texto explicativo em elipse: CHAMOU FILHO                                





Texto explicativo em elipse: ENROSCOU, DE NOVO!
O texto de Angeli é formado por uma seqüência de seis quadrinhos, que devem ser lidos da esquerda para a direita e de cima para baixo. Se lermos somente um único quadrinho da tira ou lermos a tira de trás para frente, talvez sejamos até capazes de perceber o assunto do texto, mas provavelmente o seu sentido global e o humor ficarão sinceramente comprometidos.
Isso significa que um texto, como unidade de sentido, não é apenas o resultado da soma de suas partes. Um texto pressupõe uma organização interna específica, como, por exemplo, a seqüência das partes e a relação existente entre as idéias e entre as palavras.
Observe que, no 2° balão, a mãe do garoto diz: “Aí, ele quis colocar outro e mais outro, e outro...”. a palavra liga-se ao texto do 1° balão, dando uma idéia de seqüência temporal: posteriormente, algum tempo depois. O pronome ele refere-se ao filho, mencionado no 1° balão, e o pronome outro, citado três vezes, refere-se a  piercing, também mencionado anteriormente.
No 4° balão, a mãe diz: “Mas eu alertei que ele poderia ter problemas”. Note que a palavra seguida, ou seja, ela apoiava a idéia de o filho usar piercings e, em contraposição, lembrava a ele a possibilidade de ter problemas.
Essas relações existentes entre palavras, frases e idéias é que fazem um texto apresentar textualidade, ou seja, ser um todo significativo, e não um aglomerado de palavras e frases desconexas.
Entre os fatores que contribuem para formar a textualidade, há dois que serão vistos mais adiante em : coesão e coerência.

A coesão textual

Como você viu na tira de Angeli, palavras como ele e outro estabelecem relações entre outras palavras, retomando termos já expressos anteriormente. Veja:

                   ele [o meu filho] quis colocar outro [piercing] e outro [piercing]...
Esse tipo de articulação gramatical existente entre as palavras de um texto chama-se coesão textual.
Além desse tipo de coesão, em que uma palavra (substantivo, pronome, numeral, advérbio, adjetivo etc.) retoma termos já expressos, também pode haver coesão entre palavras e partes maiores de um texto, como, por exemplo, orações, frases e parágrafos. Para isso, contribuem os conectores, palavras como então, aliás, também, isto é, entretanto, e, por isso, porque, daí, porém, mas. Veja:
                   Aí ele quis colocar outro e mais outro, e outro...

Obs.:Professor, A palavra conectores foi empregada aqui com um sentido mais amplo do que aquele que tradicionalmente se atribui ao conectivo (conjunção), que é apenas um dos tipos de conectores textuais.

O conector e liga termos de mesmo valor: outro mais outro, outro.
Veja agora esta outra frase:
Texto explicativo em elipse: VOCÊ QUER QUE EU ME ENFIE DEBAIXO DA CAMA E PERGUNTE A ELES?Texto explicativo em elipse: ENTÃO COMO É QUE ELES CHEGARAM LÁ DEPOIS QUE EU FUI EMBORA?                   Achei todos legais, bonitos... Mas eu alertei... que poderia ter problemas.











Nesse quadrinho de Bill Watterson, tomado isoladamente, notam-se marcas de coesão, como então, lá e eles, entre outras. Porém, sem a situação discursiva de que esses enunciados fazem parte, de nada valem essas marcas e os enunciados perdem o sentido.
(Os dias estão simplesmente lotados,
São Paulo: Best, 1995. v.2, p. 60.)

O conector mas, nessa seqüência, contrapõe duas idéias: a mãe apóia os piercings do filho e, ao mesmo tempo, imagina os problemas que podem decorrer desse uso. Além da relação de oposição, os conectores podem transmitir outros tipos de relação, como causalidade, temporalidade, conseqüência, proporcionalidade, condição, conclusão etc.

As marcas de coesão textual existem também na concordância entre verbos e nomes. Observe:

                   Ele quis colocar outro...
                           
                                   Verbo 3ª pes.

                  Pronome 3ª pes.

                            Achei todos legais, bonitos...
                                                     Adjet.
                                      Pronome      masc.
                                                   Plural           plural        
                                                                   Adjet. Masc. plural

Assim podemos concluir:
Coesão textual são as articulações gramaticais existentes entre palavras, orações, frases, parágrafos e partes maiores de um texto que garantem sua conexão seqüencial.

A coerência textual

A tira de Angeli apresenta uma organização de suas partes que resulta numa conclusão lógica. Veja:
·         quadrinhos 1, 2, e 3: a mãe diz ter apoiado a iniciativa do filho de usar piercings;
·         quadrinho 4: a mãe estabelece uma relação de oposição entre esse apoio e eventuais problemas que o filho possa ter;
·         quadrinho 5 e 6: o filho, por estar enroscado nos piercings, pede ajuda à mãe.
Se a mãe já alertava sobre os perigos dos piercings, a última cena é perfeitamente coerente com as anteriores, pois não há contradição entre elas.
Assim, se a coesão é a conexão gramatical de um texto, a coerência é sua conexão semântica, é a articulação das idéias que apontam para uma unidade de sentido. Há coerência num texto quando não há contradição de idéias, quando suas partes harmonicamente constituem um todo significativo.

Coerência textual é o resultado da articulação das idéias de um texto; é a estruturação lógico-semântica que faz com que numa situação discursiva palavras e frases componham  um todo significativo para os interlocutores.

PODE HAVER COERÊNCIA SEM COESÃO?

Sim, há textos que se organizam por justaposição ou com elipses e, mesmo assim, podem ser considerados textos por seus leitores/ouvintes, pois constituem uma unidade de sentido.
Um exemplo clássico de nossa música popular é a canção Águas de março,  de Tom Jobim, que se constrói pela justaposição:
                           
                                      É pau, é pedra
                                      É o fim do caminho
                                      É um resto de toco
                                      É um pouco sozinho
                                      É um caco de vidro
                                      É a vida, é o sol
                                      [...]

A coerência, a coesão e o contexto discursivo

Quando alguém produz um texto, sempre acha que está sendo claro o suficiente para transmitir o sentido desejado ao interlocutor. Este, por sua vez, também se esforça para compreender a mensagem e, inicialmente, acredita que o texto tem coerência.
Às vezes, porém, ocorrem falhas no processo comunicativo. Por exemplo, o locutor pode não calcular bem o sentido que pretendia dar a seu enunciado; ou o interlocutor, talvez por lhe faltarem conhecimentos sobre o vocabulário ou informações sobre a realidade, pode não alcançar o sentido pretendido pelo locutor.
Assim, em princípio, não existem textos coerentes e coesos em si mesmos. A textualidade está diretamente relacionada ao contexto discursivo. Um texto pode ser adequado e bem-formado em determinada situação e completamente inadequado e incoerente em outra.
Imagine a seguinte situação: a seleção brasileira de futebol joga com a Noruega. Ao final da partida, diante dos amigos, em sua casa, um rapaz diz um destes enunciados:

__ Adorei o jogo da seleção brasileira, por isso vamos comemorar com champanhe.
__ Adorei o jogo da seleção brasileira. Perdemos de 2 a 1.

Pode parecer que somente a 1ª frase seria bem-formada, pelo fato de apresentar coesão (a presença do conector por isso)  e coerência, já que estabelece uma relação lógica entre duas orações, ou seja, tomar champanhe é conseqüência da vitória de nossa seleção.
O 2° enunciado aparentemente apresenta incoerência, uma contradição, pois pressupomos que nenhum brasileiro gostaria de ver a derrota de seu time. No entanto, vejamos duas situações em que esse enunciado seria coerente:
1ª) O locutor deseja ser irônico, ou seja, diz uma coisa querendo dizer outra. No caso, a palavra adorei está substituindo odiei. Se os interlocutores entenderem essa intenção, dizemos que o texto foi coerente, pois alcançou plenamente o sentido pretendido para aquela situação.
2ª) Antes do jogo, os amigos fizeram uma aposta. O locutor apostou sozinho na derrota na derrota do Brasil por 2 a 1 e, por isso, está feliz. O enunciado não é irônico e os interlocutores certamente compreenderão o sentido pretendido pelo locutor: adorou não a qualidade do futebol do time brasileiro, mas o resultado da partida, que lhe deu o prêmio.
Assim, coerência e coesão são fatores da textualidade regulados pelo contexto discursivo.

ATIVIDADES

Leia o texto que segue e responda às questões propostas:

João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina, cuja frente dava para leste. Desde o pé da colina se espalhava em todas as direções, até o horizonte, uma planície coberta de areia. Na noite em que completava 30 anos, João, sentado nos degraus da escada colocada à frente de sua casa, olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. De repente, viu um cavalo que descia para sua casa. As árvores e as folhagens não o permitiam ver distintamente; entretanto observou que o cavalo era manco. Ao olhar de mais perto verificou que o visitante era seu filho Guilherme, que há 20 anos tinha partido para alistar-se no exército, e, em todo esse tempo, não havia dado sinal de vida. Guilerme, ao ver o pai, desmontou imediatamente, correu até ele, lançando-se nos seus braços e começando a chorar.
          (Texto cedido pela professora Mary Kato. Apud Ingedore G. Villaça Koch e
         Luiz C.    Travaglia. Texto e coerência. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 1995.p.32-3.)

1. Observe se o autor emprega adequadamente sinais de pontuação, se o texto apresenta vocabulário e construção cultas ou raras. Em seguida, conclua: o autor do texto demonstra ter domínio da linguagem escrita ou não? Justifique sua resposta com elementos do texto.
R.: Sim, o texto apresenta emprego adequado dos sinais de pontuação, um vocabulário relativamente culto, com palavras como “planície”, “poente”, “distintamente”, etc.; e construções sintaticamente cultas, como “uma colina, cuja frente dava [...]”. de acordo com a norma culta, há apenas o uso inadequado de regência em “As árvores e as folhagens não o [lhe] permitiam ver...”.

2. Além do domínio vocabular e sentido da língua, o texto também apresenta marcas de coesão.
Destaque do texto:

a)    dois exemplos de coesão, nos quais uma palavra (substantivo, pronome, numeral, etc.) retome um termo já expresso;
R.: “à frente de sua casa” (casa de João); “a sua sombra” 9a sombra do sol); “correu até ele”(correu até seu pai).

b)   dois exemplos de marcadores temporais que dão idéia de seqüência dos fatos;
R.: “Na noite em que [...]”; “De repente”; “Ao olhar de mais perto[...]

c)    um conector que estabeleça uma relação de oposição entre duas idéias.
R.: “entretanto observou [...]”.

3. Apesar de aparentemente bem-redigido, o texto apresenta sérios problemas de coerência, que o torna inadequado. A fim de constatar os problemas de coerência do texto, responda:

a)    A cena narrada ocorre à noite (“Na noite em que completava 30 anos”). No entanto, o que João olhava, sentado à frente de sua casa?
R.: Olha o pôr-do-sol; logo, a cena ocorria no fim da tarde, e não à noite.

b)João está completando 30 anos. No entanto, o filho que retorna saíra havia 20 anos para alistar-se no exército. Portanto, qual é a idade do filho? Levante hipóteses: que idade aproximadamente deve ter João?
R.: O filho tem 37 ou 38 anos e João provavelmente tem acima de 50 anos.

c)João morava numa colina árida, diante de um cenário desértico. Que elementos do texto contrariam essa informação?
R.: As caracterizações “caminho coberto de grama” e “árvores e folhagens” referentes à paisagem.

d)    A frente da casa “dava para leste”. O leste ou o oriente é onde  nasce o sol. Que fato do texto é incoerente com essa informação?
R.: O fato de João estar vendo o pôr-do-sol acontece em frente a sua casa. O provável é que o sol  estivesse se pondo atrás da casa.

4.O texto em estudo foi produzido numa situação escolar. Levando em conta os tipos de incoerência do texto, responda:
a)    Que idade é provável que o autor do texto tenha?
R.: Deve ser uma criança, provavelmente com menos de 10 anos.

b)   A que causas podemos atribuir algumas dessas incoerências?
R.: Resposta pessoal. Sugestão: À falta de vivência do aluno.


3ª parte

Mecanismos  de coesão ( escrevendo com coesão)

Você já aprendeu que um texto, para não ser um amontoado de frases soltas, apresentar textualidade. Aprendeu também que alguns dos fatores essenciais da textualidade são a coerência e a coesão.
         Para conhecer alguns dos mecanismos de coesão, leia este texto, do jornalista e crítico de arte Luiz Sampaio:

Gato por Lebre
Versões baratas pegam carona nos desenhos Disney

Um mês depois de chegar aos cinemas brasileiros, a chinesinha Mulan, da Disney, já ganhou clones. A distribuidora Flashstar lança nesta semana um desenho com o nome da personagem. Outra fita,  O Segredo de Mulan, do selo Cosmos, está à venda em supermercados e lojas de departamentos. Nos dois casos, são produções baratas que nbão chegam aos pés do longa-metragem que as inspirou. São frutos de uma esperteza comum nos últimos anos: pegar carona nos sucessos da Disney. Também se encontram nas prateleiras das locadoras imitações de  O Rei Leão, Pocahontas, Aladdin, A Bela e a Fera e O Corcunda de Notre Dame, entre outros títulos.
Uma cópia dessas está para um desenho Disney assim como uma abóbora está para a carruagem da Cinderela. Os desenhos clones são feitos, em geral, com um centésimo do orçamento das produções originais. O resultado é que as imagens são grosseiras, os enredos são toscos e a duração do filme mal alcança uma hora. Não é raro, ainda, que a história original ganhe adaptações de fazer corar um aprendiz de roteirista. Em O Segredo de Mulan, por exemplo, a protagonista é uma lagarta. Para quem não quer comprar gato por lebre, resta esperar o lançamento em vídeo do Mulan de verdade, previsto para o ano que vem.
(Veja, 5/8/98.)
1)    Um dos mecanismos de coesão ou elas coesivos mais utilizados é a referência, que permiti que uma palavra se refira a outra expressa anteriormente, retomando-a, ou se refira a uma palavra que ainda vai ser expressa, antecipando-ª

a)    Identifique no texto o termo anteriormente expresso a que se referem:
§  a expressão “Nos dois casos”;
R.: o filme Mulan e o filme o segredo de Mulan.
§  o pronome as em “que as inspirou”;
R.: produções baratas.
§  o pronome dessas em “Uma cópia dessas”;
R.: imitações de O Rei Leão, Pacahontas, etc.
§  gato e lebre em “Para quem não quer comprar gato por lebre”. R.: respectivamente, imitações e produções originais ou desenhos Disney.

b)           Identifique a que tipo de esperteza, posteriormente explicada, se refere o trecho “São frutos de uma esperteza [...]”.
R.: pegar carona nos sucessos da Disney

2) Outro mecanismo freqüente de coesão é a substituição, que se verifica quando uma palavra, expressão ou até uma oração inteira são substituídas por outro termo. A substituição inclui a sinonímia, a antonímia, a hiponímia e a hiperonímia. Veja alguns exemplos:
  
Já assisti a vários filmes da Disney. São fitas, na verdade, para qualquer idade.
Vocês acham que imitações baratas não têm qualidade e eu também penso assim.
Na desta, Juliana começou a dançar e todos fizeram a mesma coisa.

Identifique no texto a palavra, expressão ou até uma oração que são   substituídas por:
§  Outra fita, no 1°. parágrafo.
R.: Um desenho
§  Produções baratas em “são produções baratas que não chegam [...]”
R.:  desenho, filmes
§  Também em “também se encontram nas prateleiras [...]”
R.: a palavra também retoma toda a informação anterior, de que foram lançadas duas imitações do filme mulan, da Disney.

3) Outro mecanismo de coesão freqüentemente empregado é a elipse, que consiste na omissão de um termo ou de uma oração facilmente subentendidos pelo contexto. Veja um exemplo:

         Você não quer sair, mas eu quero [sair].

Observe que, no início do texto em estudo, pe mencionada a “chinesinha Mulan, da Disney”, isto é, a personagem protagonista do filme. No entanto, as comparações com as imitações Mulan e O segredo de Mulan sugerem um termo que não foi expresso na 1ª. frase do texto.

a)    Que termo é esse?
R.:  O filme Mulan,da Disney.
b)   Ao empregar a “chinesinha Mulan, da Disney” em vez do termo identificando no item anterior, o autor fez uso de uma figura de linguagem. Qual é essa figura?
R.: A metonímia.

ATIVIDADES

1)    Identifique os mecanismos de coesão utilizados no seguinte texto:

Ana Carolina tem 20 anos e, aparentemente, é uma garota como todas as outras da sua idade. Está no 3° ano da faculdade, trabalha, namora, viaja com os amigos. Mas  existe algo diferente em sua rotina: há muito tempo Carol freqüenta, semanalmente, psicoterapeuta, médico e nutricionista.
     Tudo aconteceu quando a garota resolveu fazer um inocente regime, pois achava que estava “um pouco gordinha”. Tinha 14 anos e pesava 45 quilos. Procurou um endocrinologista que a incentivou a perder cada vez mais peso. O emagrecimento foi progressivo, até que seus pais se deram conta de que Carol quase não comia e não conseguia mais parar de emagrecer. Apesar de cada vez mais magra, ela sempre se sentia gorda. Se achava feia, incapaz de merecer afeto de alguém. Passava dias sem colocar nada na boca; chegou a pesar 28 quilos. Enfraquecida, desmaiando por todos os cantos, teve de ser internada. O que no começo parecia simples “frescura de adolescente”, na verdade era anorexia nervosa, uma doença que pode matar.
(Gisele Kawamurade Oliveira e Silva. Pais &Teens,fev./mar./abr.1998.)
 - outras (garotas);
 -sua (de Ana Carolina);
 -Carol (Ana Carolina);
 -a garota (Ana Carolina);
 -a (ela , a garota);
                          -emagrecimento (perder cada vez mais peso);
                          -seus(pais da garota);
                          -ela (a garota);
                          -se (a si própria, a garota);
                          -frescura de adolescente (o desejo de emagrecer ou desmaiar, estar fraca, etc.);
  -uma doença que pode matar (anorexia nervosa);
v  Observe ainda a freqüente elipse do sujeito de verbos como passava, chegou, teve, etc.

2) Substitua os termos destacados, a fim de evitar repetições. Veja um exemplo:

O garoto estava com frio, mas a blusa do garoto tinha ficado em casa.
O garoto estava com frio, mas sua blusa tinha ficado em casa.

a)   Fique com a carteira na ao, pois da última vez você esqueceu a carreira na loja.
R.:  Esqueceu-a

b)   Para Paulo Freire, a tarefa de pais e educadores é ajudar o adolescente a encontrar um sentido produtivo e criador para a rebeldia do adolescente. Paulo Freire foi reconhecido internacionalmente por suas propostas de alfabetização.
R.: Sua rebeldia – O educador.

c)   Educadores e psicólogos têm discutido muito as influências da Internet sobre o comportamento de crianças e jovens, pois acreditam que a Internet pode tanto ser boa quanto ruim para crianças e jovens.
R.: Rede internacional de computadores – eles.

d)   Eu tenho medo de andar de avião, mas se eu não andasse de avião levaria dias dentro de um ônibus para cumprir meus compromissos.
R.: Usasse esse meio de transporte.

e)   Raul Seixas foi um dos mais importantes compositores brasileiros nos anos 70 e até hoje as canções de Raul Seixas são ouvidas ou regravadas, entre as canções, ‘A maçã’.
R.: Do compositor – elas.

3) Podemos contribuir para a coesão de um texto, também substituindo palavras repetidas por sinônimos ou vocábulos da mesma área semântica, ou seja, da mesma família de significados, como ônibus/veículo, aspirador de pó/máquina, cidade/capital, etc. veja este exemplo:
 
Jostein Gaarder acaba de lançar, no Brasil, seu último livro, Através do espelho. O autor de O mundo de Sofia chegou a superar líderes tradicionais de vendas em nosso país, como Ken Follet e Sidney Sheldon.

Com base nesse exemplo, substitua os termos destacados no enunciado abaixo por outro equivalente, a fim de evitar repetições:
        
O famoso jogador do Cruzeiro afirmou que poderia ser transferido para o time do Rio, mas p verdadeiro desejo do jogador não era ir para o Rio e, sim, continuar em Belo Horizonte, pois toda a sua família reside em Belo Horizonte.
Sobre a proposta de salário de cerca de 50 mil mensais, o jogador afirmou que salário não é tudo na vida de um jogador e que, para ele, é mais importante estar próximo da família.

R.: atleta – a capital carioca – naquela capital/cidade – dinheiro – profissional do esporte – entes familiares/pessoas queridas.

4ª parte

  Escrevendo com coerência
  
A não-contradição

         Para que um texto apresente textualidade, isto é, construa sentido de modo eficiente , é necessário que ele não contenha problemas de contradição. A não-contradição é um dos requisitos essenciais da coerência de um texto.
         Há dois tipos básicos de contradição: a interna e a externa ao texto. A contradição interna ocorre entre o que se afirma antes e o que se afirma depois na seqüência discursiva. A contradição externa ocorre quando o que se afirma no texto não coincide com a realidade.
         Leia o texto que segue, observando a coerência das idéias, e responda às questões propostas. O texto foi transcrito tal qual foi produzido, por isso apresenta problemas de vários tipos, que vão da pontuação até aspectos de textualidade.
R.:Professor, fazer com os alunos uma correção oral do texto, levando-os a observar os problemas mais evidentes, principalmente os de pontuação.

O reencontro

         Sandra e Paulo falaram-se por telefone, coisa que fazem duas vezes ao ano: em seus aniversários. Sandra tem vinte e nove anos, alta e ruiva de olhos azuis liga para parabenizar os trinta anos de Paulo, que ao invés de estar feliz, esta muito triste. Sandra, sempre curiosa e companheira, tenta marcar um encontro com Paulo, que aceita.
         Oito da noite. Bar do bexiga. Lá estão eles de novo no lugar onde começaram o namoro. Praticamente se vendo “pela primeira vez, a segunda vez “, pois, já faz quatro anos que eles não se vêem.
          __Oi, Sandra! Eu sei que devíamos manter distância. Pois sempre acontece com ex-namorados. Você diz que marcou encontro para conversar, por isso vou me abrir com você estou infeliz com esse casamento e minha mulher não percebeu, pois minha mulher ta ocupada com o nosso filho que está para nascer.
         __AAH! Você casou, né? Eu tinha esquecido. Vim aqui para tentar reconciliar com você, agora é tarde. Tchau!
          Moreno, de olhos castanhos, Paulo chora muito, e a vida continua.
(Redação de aluno, 1° ano do ensino médio)




1)    O narrador afirma no 1° parágrafo que Sandra era “curiosa e companheira”.
R.: Uma companheira de verdade não telefona ao amigo somente uma vez por ano.

2)   No 2° parágrafo o narrador afirma que as personagens se encontram num bar onde começou o namoro. Vêem-se “’pela primeira vez, a segunda vez’, pois, já faz quatro anos que eles não se vêem”.
Da forma como está redigido, o texto é ambíguo.

a) Que sentido possíveis se depreendem do texto?
R.: Pode ser a primeira ou segunda vez que se vêem depois de rompido o namoro ou durante todo o relacionamento.

b) Qual desses sentidos constitui uma contradição externa, ou seja, algo incoerente com a realidade?
R.: O de se encontrarem uma ou duas vezes durante todo o relacionamento; eles teriam se conhecido, namorando e rompido num único dia.

3) No 3° parágrafo, Sandra e Paulo conversam.

a) É coerente a fala de Paulo de que deviam manter distância, “pois sempre acontece com ex-namorados”?
R.: Não, pois isso não ocorre necessariamente.

b) Na seqüência, Paulo diz estar “infeliz com esse casamento”. O texto já tinha feito qualquer tipo de mensão ao casamento dele?
R.: Não. (professor, esse é um exemplo típico de contradição interna.)

c) Em sua resposta, Sandra diz ter esquecido que Paulo se casara e lamenta, pois pretendia reatar o relacionamento. Considerando esse tipo de informação e lembrando que as personagem se falavam duas vezes ao ano, é coerente e verossímil o comportamento da moça?
R.: Não, aqui há contradição interna e externa: eles já tinham conversando por telefone, o que pressupõe que tivessem trocando algumas informações sobre como ia a vida de cada um; além disso, normalmente não se esquece esse tipo de informação, principalmente referente a ex-namorados.

ATIVIDADES

Reconheça as contradições, internas ou externas ao texto, existentes nos fragmentos a seguir:

a)       Pedro, uma pessoa muito inteligente e romântica, morria de paixão pela Glorinha e a mesma evitava-o depois de tantas tentativas Pedro desistiu pois nunca era percebido pela Glorinha.
         Mas um certo dia, quando Pedro descia a escadaria do colégio, esbarrou cara a cara com Glorinha e do nada os dois se beijaram; pronto, era amor á primeira visita. Pena que este encontro foi tarde demais, pois os dois iriam para faculdades diferentes e nunca mais se encontrariam.
(Redação de aluno, 1° ano do ensino médio)

R.: Contradição externa: não coincide com a realidade o fato de Glorinha mudar de opinião em relação a Pedro tão subitamente e, além disso, beija-lo de repente. Também é contraditório o fato de os dois se amarem e se separem apenas porque vão para faculdade diferentes.

b) Muitas pessoas pobres, ficam muitas vezes indignadas ao ver uma outra pessoa com ela, só que não passa fome com ela, ou seja, é rica e na maioria, ladrão, que rouba do povo e isso faz com que a população fique revoltada, e se manifestará em conflito entre camadas sociais, no qual um favelado odeia outro de uma classe superior, e tendo oportunidade para acabar com o outro não vai perder a chance.
(Redação de aluno, 3° ano do ensino médio)
R.: Há contradições em relação à realidade na generalização segundo a qual o rico é ladrão e o favelado, revoltado e violento.


5ª parte

escrevendo com coerência e coesão

Articulação de palavras e ideias

         Para produzir um texto com eficiência, não basta apenas ter boas idéias ou bom vocabulário. É preciso transforma-los em enunciados que, unidos a outros enunciados, vão lentamente construindo uma tessitura de conexões lógicas e semânticas que configuram o texto. Quando isso ocorre, dizemos que o texto possui textualidade, isto é, apresenta adequada articulação de idéias (coerência) e articulação gramatical entre palavras, orações, frases e partes maiores do texto (coesão).
         Releia os seguintes parágrafos da carta estudada no início deste capítulo, observando o papel das palavras e expressões destacadas:

         São Paulo, 6 de setembro de 1991.
         Exmo. Sr. Deputado Paulo Vasconcelos

         Em breve o Congresso Nacional estará revendo a Constituição promulgada em 88. Entre os temas polêmicos que farão parte dessa revisão certamente estará a obrigatoriedade do voto.
         A discussão sobre esse assunto perde sentido sem uma reflexão sobre seu significado. Durante anos a sociedade brasileira buscou reinstaurar a democracia, regime em que o voto tem papel decisivo, já que é canal privilegiado de expressão da vontade popular.

Observe que a conexão de palavras e idéias no interior das frases, no interior dos parágrafos e de um parágrafo para outro é feita pelas  palavras e expressões destacadas.
Por exemplo, a expressão “dessa revisão” retorna a idéia contida em “revendo a Constituição”.
Em “A discussão sobre esse assunto”, a expressão destacada se refere à “obrigatoriedade do voto”, expressa no parágrafo anterior. Em “seu significado”, o pronome possessivo estabelece uma relação de posse entre “significado” e “assunto” (significado do assunto).
A expressão já que estabelece uma relação de causa e efeito entre duas idéias: o voto é um canal privilegiado de expressão da vontade popular (causa) e o voto tem um papel decisivo na democracia (efeito).
Observe ainda que a expressão “Em breve” é um marcador temporal que condiciona as formas verbais estará revendo, farão e estará, que obrigatoriamente têm de ser empregadas no futuro do presente do indicativo.
Esses diferentes tipos de conexão – repetições, pronomes demonstrativos, possessivos, conjunções, correspondência entre advérbios e tempos verbais – são responsáveis pela articulação do texto tanto no nível gramatical, em seus aspectos sintáticos (como regência e concordância), quanto no nível semântico. Além disso, as retomadas são importantes para que o texto possa ter continuidade e progressão de idéias.

ATIVIDADES

Releia os seguintes parágrafos da carta de abertura do capítulo e responda às questões de 1 a 4:
     
Se a democracia plena está inevitavelmente vinculada à possibilidade de escolher, o próprio ato de votar deveria ser uma escolha. É assim nos Estados Unidos, país considerado por muitos como exemplar modelo democrático.
Portanto, é de se estranhar que, em uma democracia, o direito do voto transforme-se em obrigação. Os votos nulos e brancos quase ganharam as eleições de 89 em alguns recantos do país. Boa parte dos eleitores de votos brancos e nulos apenas cumpriram uma obrigação para não sofrerem as penalidades da lei. Estes votos até podem servir para expressar a descrença de inúmeros brasileiros. Mas enquanto não ficar claro que voto é direito, expressão de uma vontade, não estaremos construindo um Estado verdadeiramente democrático.
Apenas quando entendermos de fato que o voto é um direito, não obrigação, poderemos também entender que significa direito à vida, à liberdade, à saúde e educação, à igualdade de oportunidade e outros direitos garantidos pela Constituição mas não pela prática social.
Por isso gostaria de, enquanto cidadã, ver-me representada por V. Exª. Conto com a lucidez que tem demonstrado para defender em plenário a não obrigatoriedade do voto. Como eu, tenho certeza de que muitos outros brasileiros agradecem seu apoio e decidida vontade de contribuir para a construção de uma verdadeira democracia brasileira. 

  
1) Com relação ao 1°. parágrafo desse excerto:

a)    Qual é a palavra que introduz o leitor num plano hipotético de ações?
R.: A conjugação condicional se.
b)   Que idéia pe retomada pela palavra assim?
R.:  A idéia de que o ato de votar está vinculado à escolha.
          
2) Observe o emprego e o valor semântico das conjunções portanto e mas no 2° parágrafo do excerto. Portanto é uma conjugação conclusiva, com valor semântico próximo ao de por isso, logo. Mas é uma conjunção adversativa e seu papel semântico é expressar a idéia de oposição.

a)    Quais são as idéias que a conjunção portanto liga?
R.:  A de que nos países democráticos o voto é uma escolha (no 1° parágrafo do excerto) e a do estranhamento quanto á obrigatoriedade do voto no Brasil, país que se pretende democrático (2° parágrafo).

b)   A conjunção mas opõe quais idéias?
R.: A do voto como obrigação e a do voto com direito.

3) Depois de escrever e criticar a prática do voto obrigatório no Brasil, a autora imagina um tempo hipotético em que os direitos do cidadão, entre eles o de cotar ou não, sejam respeitados no país. Qual é a expressão que introduz o leitor nesse plano hipotético?
R.: Apenas quando.

4) No último parágrafo, a argumentação é claramente  interrompida para dar lugar ao apelo direto que é feito ao interlocutor. Esse parágrafo é introduzido pela conjunção conclusiva por isso.

a)    Essa conjunção estabelece ligação entre quais partes do texto?
R.: Entre a conclusão e todos os parágrafos anteriores.

b)   O emprego dessa conjunção nesse contexto dá mais força à solicitação feita pela autora nesse parágrafo? Por quê?
R.: Sim, pois a solicitação que ela faz ao deputado soa como conseqüência           natural de toda argumentação desenvolvida anteriormente.

5) No texto que segue, foram eliminadas propositalmente algumas palavras responsáveis pela articulação de palavras, orações, frases e idéias. Levando em conta a coerência e a coesão textual, descubra quais são as palavras mais adequadas para preencher as lacunas.

       A humanidade vive em função da busca inútil de uma cura para um mal incurável: a solidão. __________, será mesmo a solidão um mal, um aspecto negativo, ________________inevitável, da condição humana?
       Os seres humanos tornam-se infelizes _________________não suportam a idéia de serem sós, ____________a solidão física é realmente muito perturbadora. É claro que todos têm aquela necessidade de ficarem sós por alguns momentos, para poderem aprender a lidar com __________sentimentos, refletirem sobre __________atos, repensaram as __________vidas. ____________, essa solidão física se cura com companhia, e é muito diferente da solidão de cada um. O homem, por ser único, original e inimitável, é também só, e __________ é um fato incontestável que __________ tem dificuldades de aceitar como verdade, _________ ainda não desistiu de encarar a solidão como um sofrimento atroz: ainda não ______ compreendeu.
(Maria Julia Bottai, aluna do 3° ano do ensino médio)
R.: Sugestões: porém,/ no entanto; mesmo que/embora; pois/ porque; pois/já que; seus; seus; suas; no entanto/porém; esse; ele; porque; a

6) Apresentamos, a seguir, um parágrafo de um texto com falhas de articulação, escrito por um vestibulando. Leia-o e, em seguida, reescreva-o, estabelecendo a articulação necessária entre palavras, frases e idéias. Adapte o que for necessário.

         A violência em nosso país está a cada dia que passa se acentuando mais, isto devido a diversos fatores podemos citar o fator econômico a ganância do homem pelo dinheiro, o desemprego dos pais, a falta de moradias, alimentação e educação impedem o de criar seus filhos dignamente daí a grande violência da sociedade o menor abandonado, que sozinho sem ter uma mão firme que o conduza pela vida, parte para o crime e roubo na tentativa de sobreviver.

R.: Resposta pessoal – sugestão para se fazer na lousa, com os alunos, uma reconstrução coletiva do texto. Uma das possibilidades de reconstrução do texto seria:
         “A violência em nosso país está se acentuando a cada dia, devido a diversos fatores. Entre eles, destacam-se a péssima situação econômica dos pais __ que gera desemprego rapidamente cai no mundo da violência e do crime como meio de garantir a sobrevivência”.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

6ª parte

 escrevendo com coerência e coesão

Continuidade e progressão

       A leitura de qualquer texto sempre envolve um movimento de retomada do que foi exposto e de avanço na busca de novas informações.
         Leia o texto a seguir, observando a organização e a seqüência de idéias:
                                      Perfil da população

        
Obs.: Excluídos 63,6 milhões(63%) = (Pobres/Despossuídos?Miseráveis).

       Critérios usados na pesquisa datafolha
A classe dos excluídos possui três subdivisões.
1.     miseráveis: são analfabetos ou possuem, no máximo, o ensino fundamental incompleto. Renda familiar de até 2 salários mínimos.
2.    despossuídos: estudam no mínimo até a 4ª série e ganham até 5 salários mínimos.
3.    pobres: a maioria tem o ensino fundamental completo e renda familiar de 5 a 10 salários mínimos.
(Folha de São Paulo, 26/9/98.)
                  
O Brasil tem hoje pelo menos 25 milhões de miseráveis __ o equivalente a três Suécias ou à população total do Peru. Esse é o número de brasileiros, com 16 anos ou mais, que vivem no patamar mais baixo da pirâmide social.
Representam 24% do total da população brasileira nessa faixa etária e ganham, em média, R$ 131 por mês. Deles, 45% estão no Nordeste, e 83% são analfabetos funcionais (isto é, têm menos de quatro anos de estudo).
         Esse retrato inédito da exclusão social é o resultado da consolidação de quatro pesquisas Datafolha feitas em todo o país neste ano.
         Com o agravamento da crise financeira internacional, esse tema acabou sendo excluído do debate político-eleitoral. Mas é justamente em período de recessão que a exclusão social adquire seus contornos mais dramáticos: aumento de desemprego significa sempre mais miséria.
(Folha de  São Paulo, 26/9/98.)

         Observe que, no 1° parágrafo, as palavras esse e número retomam a expressão 25 milhões mencionada no período anterior. Ao mesmo tempo, permitem o acréscimo de novas informações: esses brasileiros têm mais de 16 anos, são a base da pirâmide social.
         No 2° parágrafo, a forma verbal representam, na 3ª pessoa do plural, retoma, pela concordância verbal, os 25 milhões de brasileiros e introduz novas informações: quanto representam a população brasileira, em que região residem, qual o grau de escolaridade.
         A expressão “Esse retrato inédito da exclusão social”, do 3° parágrafo, retoma o conjunto de informações relacionados à mi                                                                                                              séria exposto anteriormente.
         No último parágrafo, a expressão “esse tema” retoma a exclusão social,  mencionada no parágrafo anterior, e associa-a às eleições e ao desemprego.
         Como se vê, a seqüenciação do texto depende de um duplo movimento: por um lado, a retomada de palavras e idéias já expressas, procedimento chamado continuidade; por um lado, a introdução  de novas idéias, a progressão, responsável pelo andamento do texto.

ATIVIDADES

O texto que se apresenta, entre outros problemas, o da coesão textual, particularmente quanto aos aspectos continuidade e progressão. Leia-o e responda às questões propostas.

       A violência no Brasil acontece pela diferencia econômica e social que existe nas sociedades nacionais.
       O Brasil está mudando, crescendo e progredindo, só que ainda existe a má distribuição de renda para as populações. Assim o “cidadão” privilegiada vivendo na pobreza, na miséria fica revoltado e tem como solução de vida violentar os outros para sobreviver.
       Para outros a sobrevivência formada na miséria é se adaptar as drogas para fugir da realidade e não saber o que se faz.
       Dentro dessas desigualdades encontra-se o comércio clandestino de armas que se transforma em um ato comum do dia-a-dia do cidadão. A arma é usada como um utensílio “doméstico”.
       Entretanto o Estado deve dar prioridades a classe baixa, investindo em educação, moradia’, saúde, uma distribuição de renda bem feita, para chegarem numa condição de vida melhor e para que esta parte social não tenha necessidades de procurarem e violentarem outras pessoas para terem uma vida decente.
(Aluno do 3° ano do ensino médio.)

4.    O 1° parágrafo do texto contém apenas uma idéia-núcleo, que não foi desenvolvida. Além disso, a expressão “nas sociedades nacionais” não foi bem empregada.
a)    Que termo substituiria adequadamente a expressão mencionada?
R.: Classes sociais.
b)   Que idéia secundárias poderiam garantir, nesse parágrafo, o desenvolvimento da idéia-núcleo e a progressão textual?
R.: Entre outras possibilidades, o autor poderia ter descrito o perfil das classes sociais a que se refere.

5.    Na passagem do 1° párea o 2° parágrafo, não há nenhuma palavra que retome um termo ou uma idéia anteriormente expressos,do que resulta a impressão de que estes parágrafos estão “soltos”, isto é,  sem coesão. Procure perceber a relação entre esses dois parágrafos e responda:
a)    Que idéia do 1° parágrafo o autor tente desenvolver no 2° parágrafo?
R.: O autor tenta desenvolver a idéia de que a violência resulta das diferenças entre as classes sociais.

b)   Que outra redação poderia ser dada ao primeiro  período no 2° parágrafo, de modo a explicar a relação de continuidade existente entre os dois?
R.: Essas diferenças sociais continuam existindo, apesar de o país estar mudando, crescendo e progredindo.

c)    Que outras idéias secundárias poderiam dar progressão ao texto, desenvolvendo a idéia-núcleo lançada nesse parágrafo?
R.: As causas da “revolta” do cidadão pobre e as razões de a violência tornar-se uma saída para ele poderiam ser especificadas pelo autor.

6.    No 3° parágrafo, as idéias são pouco desenvolvidas.
a)    Está claro, no texto, a quem se refere o pronome outros da expressão “Para outros”? Caso não, que redação você daria a esse trecho, de modo a garantir a relação de continuidade desse parágrafo com o anterior?
R.:Não.Esse pronome só estaria bem empregado se, no parágrafo anterior,  houvesse uma expressão como “Para alguns...”. Nesse caso, teríamos algo como “Por outro lado, para outros, a única forma de sobreviver na miséria é fugindo da realidade por meio das drogas.”
                    
b)   Que outras idéias poderiam ser desenvolvidas nesse parágrafo?
R.: Entre outras, o autor poderia aprofundar a idéia  de que miséria e drogas  estão relacionadas, tanto no aspecto do consumo quanto no de tráfico.

7.    No 4° parágrafo, o autor emprega uma marca de continuidade: a expressão “Dentro dessas desigualdades”. Responda: essa expressão está bem empregado no contexto? Justifique
R.: Não, pois tendo a única referência à desigualdade ocorrida no 1° parágrafo (“diferença econômica e social”), ela já se encontra distante; além disso, não se tratou do lado privilegiado da sociedade, de modo que não houve contraposição entre um lado e outro.

5. O autor introduz o último parágrafo com a conjunção adversativa entretanto, cujo papel é estabelecer oposição entre as idéias. Considerando a relação que normalmente há entre a conclusão e as partes anteriores de um texto, a palavra entretanto estabelece a conexão adequada à finalização do texto? Se sim, justifique. Se não, aponte a conjunção que substituiria satisfatoriamente a palavra entretanto.

R.: Não, o sentido pretendido pelo autor é de conclusão. Logo, caberia uma palavra ou expressão como portanto, assim, desse modo, então, etc.

6. O texto não fugiu ao tema proposto. Apesar disso, não pode ser considerado um texto eficiente, em virtude de alguns problemas relacionados à textualidade. Identifique esses problemas.

a)    Falta de sinalizadores claros de continuidade que garantam a retomada de palavras e idéias.
b)    Falta de idéias secundárias que fundamentem a idéia-núcleo dos parágrafos, de modo a garantir a  progressão textual e o grau adequado de informatividade do texto.
c)    Falta de uma introdução, na qual é lançada uma tese ou idéia principal; do desenvolvimento, em que são lançados os argumentos; e de uma conclusão.
d)    Emprego inadequado de termos, o que compromete a coerência e a coesão das idéias.
                  

Referência Bibliográfica

1.Cereja , Williaam Roberto e Thereza Cochar Magalhães.Português:Linguagens: literatura, produção de texto e gramática, volumes I e II. __ 3ª ed.ver. e ampl.__ São Paulo: Atual,1999.
2._______.Gramática: texto, reflexão e uso. __ São Paulo: Atual, 1998.



Coerência e Coesão




COESÃO
O texto é produzido através da organização de palavras que se unem, adequadamente, umas às outras.
Assim, os termos vão formando uma oração, e as orações vão constituir períodos.
Essa união ou ligação entre os elementos de um texto deve apresentar um sentido lógico, coerente; para isso é necessário observar as relações semânticas existentes entre eles. Na verdade, há uma relação de dependência entre os termos e as orações que se estabelece pela coordenação ou subordinação das idéias.
Um texto torna-se bem construído e coeso quando usamos os elementos gramaticais ou coesivos (conjunções, pronomes, preposições e advérbios), no interior das frases, de forma adequada. Se esses elementos de ligação forem mal empregados, o texto não apresentará noção de conjunto, ou ainda, sua linguagem se tornará ambígua e incoerente.
Portanto, a coesão refere-se à forma ou à superfície de um texto. Ela é mantida através de procedimentos gramaticais, isto é, pela escolha do conectivo adequado na conexão dos diversos enunciados que compõem um texto.
Leia o trecho a seguir e observe os elementos de coesão empregados pelo autor.
ABRE-TE, SÉSAMO!
A casa inteligente imaginada no MIT será impregnada por câmeras de vídeo, microfones, telões, caixas acústicas e sensores que farão parte da decoração. As câmeras, por exemplo, serão acionadas por um computador central para reconhecer cada um dos membros da família e rastreá-los em suas ações nos diferentes cômodos. Não bastasse, o sistema compreenderá sinais manuais e gestos de comando dos ocupantes da casa, tais como não e OK. Através dos microfones, o computador distinguirá igualmente comandos de voz. Assim, por exemplo, o filho mais velho, ao deitar-se na cama para dormir, simplesmente dirá: “Computador, me acorde às sete da manhã”.
(Peter Moon. IstoÉ, 29-11-1995).
O primeiro período do texto é composto, e suas orações aparecem ligadas pelo que, pronome relativo, elemento coesivo dessa subordinação. A oração subordinada adjetiva introduz uma explicação: “...que farão parte da decoração”.
A locução “por exemplo”, no segundo período, inicia um esclarecimento em relação ao que foi dito anteriormente, dando continuidade à idéia inicial do texto. Representa também outro elo ou elemento de coesão entre as orações. Já a preposição “para”, logo em seguida (“para reconhecer cada um...”) expressa a finalidade no uso das câmeras, nessa casa do futuro. Essa oração vem subordinada ou ligada à oração anterior, chamada de principal.
Também a conjunção e (coordenada) introduz a idéia de acréscimo (...”e rastreá-los em suas ações... e gestos de comando dos ocupantes da casa”.)
Nas orações que seguem, as palavras “através” e “assim” (conectivos) começam uma seqüência de valor ilustrativo, confirmando as idéias apresentadas com exemplos.
O emprego desses elementos coesivos dá ao texto uma estrutura clara e compreensiva. Por isso é importante a escolha adequada dos conectivos que serve de elo entre os termos e as orações, na produção de um texto.



COERÊNCIA
A coerência resulta da relação harmoniosa entre os pensamentos ou ideias apresentadas num texto sobre um determinado assunto. Refere-se, dessa forma, ao conteúdo, ou seja, à sequencia ordenada das opiniões ou fatos expostos.
Não havendo o emprego correto dos elementos de ligação (conectivos) faltará a coesão e, logicamente, a coerência ao texto.
Ampliando as ideias vistas no texto anterior (“Abre-te Sésamo!”), em que o autor imagina o surpreendente avanço tecnológico modificando nossas casas, seria incoerente se acrescentássemos o seguinte trecho:
“O projeto da casa inteligente mostra que o avanço tecnológico vem prejudicando a vida humana, pois o computador tornou-se um terrível adversário, substituindo o homem em quase todas as funções. Com isso, o desemprego passou a representar um dos grandes dramas da sociedade moderna.”
Você observou que as ideias desse parágrafo são incoerentes, porque o texto lido menciona justamente os benefícios do computador nas atividades humanas, e não sua utilização como forma de prejudicar o trabalho do homem. Assim, a expressão dessas ideias não teriam sentido ou coerência em relação ao tema desenvolvido inicialmente.

(Extraído do Manual de Redação; autora: Leila Lauar Sarmento, Ed. Moderna).

A importância dos conectivos
A coesão de um texto depende muito da relação entre as orações que
foram os períodos e os parágrafos. Os períodos compostos precisam ser
relacionados por meio de conectivos adequados, se não quisermos
torná-los incompreensíveis.

Para cada tipo de relação que se pretende estabelecer entre duas orações, existe uma conjunção que se adapta perfeitamente a ela. Por exemplo, a conjunção MAS só deve ser usada para estabelecer uma relação de oposição entre dois enunciados. Porém, se houver relação de contradição ou ideia de concessão, a conjunção deverá ser outra:
EMBORA. Se não for assim, o enunciado ficará sem nexo. Observe um
caso de escolha inadequada da conjunção:

"EMBORA O BRASIL SEJA UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS
NATURAIS, TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA
DA FOME"
Veja que não existe a relação de oposição ou a idéia de concessão que
justificaria a conjunção EMBORA. Como a relação é de causa-efeito,
deveria ter sido usada uma conjunção causal:
COMO O BRASIL É UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS, TENHO
CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME.
Para que problemas desse tipo não aconteçam em suas redações,
acostume-se a relê-las, observando se suas palavras, orações e períodos
estão adequadamente relacionados.
(Extraído do livro: Escrevendo Melhor, 8ª série, Dileta Delmanto, 1995, Editora Ática.)
Conectivos
Conectivos ou elementos de coesão são todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos, para criar relações entre segmentos do discurso, tais como: então, portanto, já que, com efeito, porque, ora, mas, assim, daí, aí, dessa forma, isto é, embora e tantas outras. Veja o exemplo:
Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura, porém chega a exportar certos produtos agrícolas.
No caso, faz sentido o uso do porém, já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. Seria descabido permutar o porém pelo porque, que serve para indicar causa.
Relação dos principais elementos de coesão:
1) assim, desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. A seqüência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar ou ilustrar o que se disse antes.
O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. Assim, ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer.
2) e: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes; indica uma progressão que adiciona, acrescenta, algum dado novo. Se não acrescentar nada, constitui pura repetição e deve ser evitada. Ao dizer:
Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar.
3) ainda: serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão, ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer.
O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes.
4) aliás, além do mais, além de tudo, além disso: introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo, como se fosse desnecessário, justamente para dar o golpe final no argumento contrário.
Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos.
5) isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras: introduzem esclarecimentos, retificações ou desenvolvimento do que foi dito anteriormente.
Muitos jornais, fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos, isto é, de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade.
6) mas, porém e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre dois enunciados ou dois segmentos do texto. Não se podem ligar, com esses relatores, segmentos que não se opõem. Às vezes, a oposição se faz entre significados implícitos no texto.
Choveu na semana passada, mas não o suficiente para se começar o plantio.
7) embora, ainda que, mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento.
Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso: sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário. Observe o exemplo:
Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis, pés velozes como o raio, olhos de longo alcance e asas para voar, não resolveram o problema das injustiças.
Como se nota, mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência, afirma-se uma desvantagem maior.
O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de contradição, que, se não houve, deixa o enunciado descabido. Exemplo:
Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis, vamos resolver o problema da fome.
8. Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. Alguns, como mesmo, até, até mesmo, situam alguma coisa no topo da escala; outros, como ao menos, pelo menos, no mínimo, situam-na no plano mais baixo.
O homem é ambicioso. Quer ser dono de bens materiais, da ciência, do próprio semelhante, até mesmo do futuro e da morte.
ou
É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer, a cultura, a liberdade, ou, no mínimo, a moradia, o alimento e a saúde.
Às vezes o conectivo tem seu uso inadequado de forma proposital, que revela um preconceito ou uma ironia. Mário Amato, ex-presidente da Fiesp, referiu--se à ex-ministra Dorothea Werneck desta forma:
Ela é mulher, mas é capaz.
A retomada ou a antecipação de termos
Observe o trecho que segue:
José e Renato, apesar de serem gêmeos, são muito diferentes. Por exemplo, este é calmo, aquele é explosivo.
O termo este retoma a nome próprio “Renato”, enquanto aquele faz a mesma coisa com a palavra “José”. Este e aquele são chamados de anafóricos.
Anafórico, genericamente, pode ser definido como uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo já expresso no texto, ou também para antecipar termos que virão depois.
São anafóricos:
pronomes demonstrativos: este, esse, aquele
pronomes relativos: que, o qual, onde, cujo
advérbios e expressões adverbiais: então, dessa feita, acima, atrás.
Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso dos anafóricos:
O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário.
No caso, sua pode estar se referindo à proposta do PT ou à do PMDB. Desfazendo a ambiguidade, ficaria assim:
A proposta de aumento de salário formulada pelo PT provocou desacordo com o PMDB.
Texto:
Um argumento cínico

(1)          Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. (2) Como pretexto, as invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. (3) Como argumento, no entanto, é cínica e improcedente. (4) Cínica porque a sonegação, que nesse caso se pratica não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários, sejam eles bem ou mal administrados. (5) Ora, sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento, não há transportes, não há escolas ou hospitais. (6) E sem serviços públicos essenciais, não há Estado e não pode haver sociedade política. (7) Improcedente porque a sonegação, longe de fazer melhores os maus governos, estimula-os à prepotência e ao arbítrio, além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que, mesmo querendo, não têm como dela fugir - os que vivem de salário, por exemplo. (8) Antes, é preciso pagar, até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. (9) É muito cômodo, mas não deixa de ser, no fundo, uma hipocrisia, reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda.
VILLELA, João Baptista. Veja, 25 set. 1985.
Os períodos estão numerados.
Comentários:
1º período: o autor começa a desmontar o argumento dos sonegadores através da expressão “confortável pretexto”.
2º período: o autor admite como pretexto a justificativa dos sonegadores.
3º período: o conectivo “no entanto” introduz uma argumentação contrária, dizendo que a justificativa é cínica e improcedente.
4º período: através do conectivo “porque” ele diz a causa pela qual considera cínico o argumento dos sonegadores.
5º período: o conectivo “ora” dá início a uma argumentação contrária à ideia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos.
6º período - o conectivo “e” introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior.
7º período - depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico, o autor passa a demonstrar que é também improcedente o que já foi afirmado no terceiro período. É usado o conectivo “porque” para isso. Mais adiante o conectivo “além de” introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação.
8º período - o autor usa dois conectivos: “antes” e “até mesmo” que reforçam sua argumentação.
9 º parágrafo - o conectivo “mas” estabelece a contradição das duas argumentações (dos sonegadores e do autor).
10º período - o conectivo “ou” inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita dos sonegadores.
(in Para Entender o Texto - Leitura e Redação - Platão & Fiorin, Editora Ática, 1995)


Dúvidas
Professora Solange Gomes, eu gostaria de saber o que é coesão. Tenho dificuldade de entender isso...
Eduarda Frias Longarês - Salete (SC)
Há regras que exigem a relação entre as partes do texto para ele seja, realmente, um texto e não um mero conjunto de frases soltas. O conhecimento dos elementos de coesão tem ajudado muito os professores em sua tarefa de ensinar os seus alunos a serem bons leitores e a escrever adequadamente.
Quais são os elementos de coesão?
São muitos. Os principais são:
  • A pronominalização (uso de pronomes para substituir nomes).
  • A substituição lexical (uso de sinônimos);
  • A nominalização (transformação de um substantivo em verbo)
Por exemplo: "O presidente declarou que as garantias individuais seriam respeitadas. Essa declaração provocou entusiasmo."
  • A definitização *uso do artigo definido após o suo de um indefinido".
    Por exemplo: "Era uma vez uma menina que vivia em um bosque. Um dia a menina decidiu fazer um passeio".
  • A elipse ou supressão, por exemplo: "Ana comeu cinco balas. Suzana, quatro." Na Segunda frase, houve a elipse ou a supressão do verbo comer (marcada pela vírgula) e do substantivo balas, tornando as frases coesas e sem repetições desnecessárias.
Os advérbios, as preposições e as conjunções também são elementos de coesão.


2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
  • certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados como substitutos de elementos anteriormente presentes no texto, diferentemente dos pronomes de 1ª e 2ª pessoa que se referem à pessoa que fala e com quem esta fala.
  • certos advérbios e expressões adverbiais;
  • artigos;
  • conjunções;
  • numerais;
  • elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a relação entre as duas orações.). É a própria ausência do termo que marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraverbais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares públicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma situação não verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre texto e contexto (extratextual);
  • as concordâncias;
  • a correlação entre os tempos verbais.

PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO DE POLÍTICAS EDUCACIONAIS
COORDENADORIA DO ENSINO FUNDAMENTAL - 6º ao 9º
NÚCLEO DE LINGUAGENS – NULING




Materiais referentes ao quarto
encontro do acompanhamento
pedagógico, individual,
em horário de PL
(2º semestre - duração: 2h, no máximo)

1. Sugestão de avaliação (fábulas e pronomes).
2. “Acorda, educador (Maria Thereza Gama).
3. Mensagens (Machado de Assis; Friedrich Nietzsch; Oscar Wild; Guimarães Rosa; David Hume; Confúcio; Paulo Freire; Beth Carvalho; Waldir L. Junior; Mario Quintana; Dalai Lama e Cleide Pereira Gomes).
4. Sugestões de atividades de leitura e de produção de texto.




Campo Grande/MS – 2012
“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies”.
(Machado de Assis)

“Quem algum dia aprender a voar deve aprender antes a ficar de pé, a caminhar, a correr, a subir, a dançar”.
(Friedrich Nietzsch)

“Um mapa múndi que não inclua a utopia não merece um olhar sequer, por deixar de fora um país no qual a humanidade está sempre aportando”.
(Oscar Wild)

“A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada”.
(Guimarães Rosa)

“A beleza não é uma qualidade própria das coisas; ela existe apenas no espírito que as contempla, e cada espírito percebe uma beleza diferente”.
(David Hume)

“O que ouço eu esqueço, o que vejo eu memorizo, mas o que faço eu aprendo”.
(Confúcio)

“Se é praticando que se aprende a nadar,
Se é praticando que se aprende a trabalhar,
É praticando que se aprende a ler e a escrever.”
(Paulo Freire, in A importância do ato de ler)

Eu só peço a Deus
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q'eu queria
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente
Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente
Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente
(Letra de Beth Carvalho

Desiderata

Qualquer que seja a religião que te ensinaram,
Qualquer que seja a forma pela qual tenhas sido criado,
Qualquer que seja a forma como tenhas compreendido teus mestres,
Nesses níveis compreenderá esta mensagem.
Não basta acreditar nela, deve ser vivida.

A essência da Religião Universal é Paz e Verdade,
O amor e a bondade para com todas as criaturas da terra.
É o momento de expressar essa essência em tua própria vida.
Deve estabelecer-se um começo
E o lugar para começar está em ti mesmo.

Vais reformar o mundo
Começa contigo mesmo.
A mensagem de um reformador não reformado
Raras vezes poderá inspirar uma reforma.
O coração de toda religião é o Amor e a Retidão
Que é o Amor em Ação
É a realização da religião.
Ama não somente a família e os amigos,
Porque o amor limitado é Amor negado.
Busca a paz dentro de ti mesmo
e busca também o divino alento da vida.
Persiste nisso!
Não abandones esse propósito nem por um momento.
Através de teus atos modelas tua vida
E ajudas a modelar a vida dos outros.
Que responsabilidade!

O espírito encontra em ti seu agente e também seu companheiro.
E na medida em que tomes consciência e atues de acordo com isso,
Tua vida se enriquece.
Ocorrerá em ti uma revelação...
Maior que teus sonhos mais exaltados.

Aproxima-se a nova era e nela estará a Igreja de todos.
Desaparecerão as diferenças entre as distintas religiões.
Fundir-se-á o bem que existe em cada uma delas
E será comum a toda a humanidade.
Compreenda que tens o poder de eleger!
Eleger o Amor e não o Ódio,
Eleger a Bondade e não a Violência,
Eleger a Piedade e não a Maldade.
Atreve-te a crer que logo chegará o reino de Amor e Paz!
Prepara-te para ele!
A bondade te abrirá a porta
E mais além da porta está o Amor.
Que o poder divino penetre em todos os aspectos de tua vida,
Dotando-a com as recompensas das conquistas materiais,
Com os tesouros de uma existência útil,
E a luz eterna das Aquisições Espirituais.
(Autor desconhecido)
Confie... As coisas acontecem na hora certa. Exatamente quando devem acontecer! Em momentos felizes, louve a Deus. Em momentos difíceis, busque a Deus. Nos silenciosos, adore a Deus. Nos dolorosos, confie em Deus. Em cada momento, agradeça a Deus.
"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade”. (Mário Quintana).
Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar!  (Dalai Lama).
A você, desejo o melhor de tudo, em todos os aspectos de sua vida e que a PAZ de JESUS esteja sempre com você e com toda a sua família. Bjão no coração! Feliz e abençoado 2013!!!                                           (Cleide Pereira Gomes)


 
 
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Avaliação/Rosangela Storti

A onça e o macaco

       A onça brigou com o macaco.
         Por causa disso, resolveu comê-lo; mas, como ele é o bicho mais esperto e desconfiado do mato, ela não achava jeito de agarrá-lo.
         Então, para armar um plano e apanhar o espertalhão, comunicou a sua idéia a alguns bichos inimigos do macaco, e espalhou o boato de que estava para morrer.
         No dia seguinte, amanheceu deitada na toca, durinha, fingindo-se de morta. A raposa, ao lado velava a defunta.
         Quando o macaco chegou á porta da toca, perguntou:      
         -Comadre raposa, a onça morreu?
         -Sim... respondeu a raposa.
         -Ela já roncou? - indagou o macaco - quem morre, ronca?
         Então a tola da onça para provar que tinha morrido, roncou baixinho.
         -Minha comadre, - disse o macaco, - defunto que ronca, longe dele!
         E fugiu para a mais alta árvore que encontrou.
                   
1- O texto que você leu é uma fábula. Nas fábulas existe sempre um provérbio, um ditado, uma idéia que encerra uma lição      de vida. Para fábula “Onça e o macaco”, o ditado é;
a- (   ) Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura;
b- (   ) Amor com amor se paga;
c- (   ) É melhor um pássaro na mão, do que dois voando;
d- (   ) Quem vê cara, não vê coração;
e- (   ) Para sabido, sabido e meio.

2- Segundo o texto:
a- (   ) O plano da onça foi infalível;
b- (   ) O macaco mostrou-se bastante ingênuo;
c- (   ) A onça foi bem mais esperta do que o macaco;
d- (   )A onça fingiu-se de morta;
e- (   ) O macaco foi mais sabido do que a onça.

3- A onça espalhou um boato sobre:
a- (   ) Seu ódio pelo macaco;
b- (   ) Sua própria morte;
c- (   ) Sua fome insaciável;
d- (   ) Sua grande esperteza;
e- (   ) Sua amiga raposa.

4- A decisão da onça, logo após sua briga com o macaco, foi a de:
a- (   ) Pedir ajuda a raposa;
b- (   ) Contar a briga aos inimigos do macaco;
c- (   ) Comer o macaco;
d- (   ) Fazer as pazes com o macaco.

5- A onça finge-se de morta:
a- (   ) Quando entrou em sua toca
b- (   ) Um dia após a sua briga com  o macaco;
c- (   ) Logo que armou seu plano;
d- (   )Quando resolveu comer o macaco;
e- (   ) Uma semana após a sua briga com o macaco.

6- “Compadre raposa, a onça morreu?
O termo grifado é dito por quem:
a- (   ) onça;
b- (   ) macaco;
c- (   ) narrador;
d- (   ) inimigos do macaco;
e- (   ) raposa.

7-  “bicho esperto; tola  onça; alta árvore”.As palavras grifadas estão qualificando os termos ao seu lado.Portanto ,elas são:
a)    (   ) Substantivos;
b)   (   ) Adjetivos;
c)    (   ) Verbos;
d)   (   ) Advérbios;
e)   (   ) Artigos;

8)Observe a ilustração abaixo para responder as seguintes questões:


 







a)    Quem fala?

b)   Ele refere-se a si mesmo dizendo eu. A quem se refere a palavra tu?

c)    A quem a palavra ele faz referência?

d)   Os pronomes substantivos substituem um substantivo, enquanto os pronomes adjetivos acompanham um substantivo. Os pronomes da ilustração são pronomes adjetivos ou pronomes substantivos?


9) Observe o quadrinho. Por que a personagem utiliza Excelência ao se dirigir ao entrevistado?






10) Identifique na tira abaixo um pronome possessivo:


 






 


A arte de ser feliz

         Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé.Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul.Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
                                                                          CECÍLIA MEIRELES
 11 – Que pessoa o discurso narra o texto:
a- (   ) 2ª pessoa do singular (tu);
b- (   ) 1ª pessoa do plural ( nós);
c- (   ) 3ª pessoa do singular  (ele-ela);
d- (   ) 1ª pessoa do singular ( eu).
 
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SUGESTÕES DE ATIVIDADES

1-    Leia, com atenção, os períodos, observando a pontuação.
I)           Meu amigo saiu, não está mais aqui.
II)        Meu amigo saiu? Não está aqui?
III)     __ Meu amigo saiu?
__ Não, está aqui.

De acordo com os itens acima, assinale a alternativa correta:
a)   Em I e III, a pontuação não modifica o sentido.
b)  Os períodos II e III contêm a mesma informação.
c)   Todos os itens apresentam significados diferentes devido à pontuação.
d)   A pontuação não altera o significado das frases, o que importa é a entonação.

Leia o poema abaixo para responder às questões 2 e 3:

                    Novidade, só a primeira
             Garanto:
                   O primeiro poeta que rimou
                   Foi um espanto!
                   Mais, muito mais,
                   Meu irmão,
                   Do que o primeiro
                   Que não.
                            ( Millôr Fernandes )

2- Assinale a alternativa correta:
a-   Não existe ritmo no poema.
b-   Os versos têm o mesmo número de sílabas.
c-   A rima foi empregada com rigor.
d-   O texto apresenta apenas uma estrofe.

3-   No poema "Novidade, só a primeira", o poeta:
a-   Garante que houve maior espanto em não rimar.
b-   Afirma que o primeiro a rimar muito mais se espantou.
c-   Refere-se a seu irmão que foi o último a rimar.
d-   Considera novidades ambos os poetas que empregaram rimas.

4-   Assinale a alternativa que contém a interpretação inadequada  ao provérbio:
a-   "De grão em grão, a galinha enche o papo." - É de pequenas coisas que se fazem as grandes.
b-   "Quem nunca comeu melado, quando come se lambuza". -Quem viveu na privação, pode perder-se na fartura.
c-   "Gato escaldado, tem medo de água fria." - Os insucessos nos tornam muito audaciosos.
d-   "Quem tem telhado de vidro, não deve atirar pedra ao do vizinho." - Quem é culpado, não se ponha a criticar o próximo.

Faça uma reflexão sobre o texto abaixo para responder à questão 5:
         Minha homenagem vai para o índio brasileiro que, apesar de 500 (quinhentos) anos de exploração, ainda sobrevive contrariando a máxima européia que julgava o nativo como raça inferior, subumana. As armas foram instrumento da dominação. Quanta injustiça do "branco civilizado" ao chamar as populações nativas de "selvagens, preguiçosos, indolentes, de pouco saber", para justificar a ação destruidora dos massacres e o genocídio (significa - destruição de uma raça) que lhes garantiram o roubo das riquezas indígenas e da terra, essência da vida do índio.
         E eram cristãos os europeus!

5- Assinale a alternativa  correta:
a-   Segundo o pensamento europeu, o índio sobreviveria aos 500 anos.
b- Os índios usaram armas, como flecha, por exemplo, para impor a dominação aos europeus.
c-  O uso das aspas em "branco civilizado" indica uma ironia, contrastando com "selvagens", porque, na verdade, provou-se o contrário.
d-  A essência da vida do índio eram suas armas, usadas contra o povo cristão.

 Leia o discurso direto para responder à questão 6:
___ Você aí, menino, para onde vai essa estrada? ___ perguntou um vigário.
___ Ela não vai não: nós é que vamos nela.
___ Engraçadinho duma figa! Como você se chama?
___ Eu não me chamo não: os outros é que me chamam de Zé.
                                               (Paulo M. Campos)

6-   Assinale a alternativa que corresponde à passagem adequada para o discurso indireto:
a-   O vigário perguntou ao menino para onde ia aquela estrada.
b-   O menino respondeu que ela não vai não, mas nós que iremos nela.
c-   O menino respondeu que eu não me chamo não, mas que os outros me chamavam de Zé.
d-   O vigário indagou: __ Qual era o nome do menino?

7-   Use o roteiro a seguir com a finalidade de produzir um texto expositivo-argumentativo, utilize conectivos adequados para que seu texto fique coeso e coerente.
Ø  Para você, o que é um ensino de boa qualidade? Como você classifica o ensino Brasileiro? Justifique.
Ø  Quem são os responsáveis pela boa qualidade do ensino de um país? Justifique.
Ø  Por que a informação constitui a base para o desenvolvimento humano?
Ø  De que forma o profissional, hoje, com a globalização, deve se preparar para viver nossa atual realidade, ou seja, competir com os demais?
Ø  Como você se relaciona com os livros?  Para você eles são importantes? Justifique.
Ø  Você frequenta bibliotecas ou gosta de ler em casa? Que tipo de livro você gosta? Comente alguns de que tenha gostado.  Ou não gosta de ler? Por quê?
Ø  O que você pensa sobre a afirmação: "A Educação é a maior riqueza de qualquer nação"?
Ø  O que você pensa sobre a afirmação de Bill Gates: "Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros"?
Ø  O que é mais importante, para você, na sua vida?

8-   No decorrer das oficinas propostas nos Cadernos da “Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro”, você pesquisou e escreveu sobre Campo Grande. Considerando as informações obtidas e sua vivência, produza um texto expositivo-argumentativo, com, aproximadamente, 20 linhas, no qual você abordará o que mais gosta em nossa capital. Não se esqueça do título.

9-   No decorrer das oficinas propostas nos Cadernos da “Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro”, você pesquisou e escreveu sobre Campo Grande. Considerando as informações obtidas e sua vivência, produza um poema, com, aproximadamente, 20 versos, no qual você abordará o que mais gosta em nossa capital. Não se esqueça do título.

10-No decorrer das oficinas propostas nos Cadernos da “Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro”, você pesquisou e escreveu sobre Campo Grande. Considerando as informações obtidas e sua vivência, produza uma crônica, com, aproximadamente, 20 linhas, na qual você abordará  um fato noticiado. Não se esqueça do título.


 
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Materiais referentes ao quinto
encontro do acompanhamento
pedagógico, individual,
em horário de PL
(2º semestre - duração: 2h, no máximo)


1.  Aula de redação (teoria e prática).
2.Como estruturar uma dissertação (teoria e prática).
3.Atividades (prática).

Cleide Pereira Gomes





Campo Grande/MS – 2012

 

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O SUCESSO DE SUA CARREIRA DEPENDERÁ SOMENTE DE SEU ESFORÇO, E, QUE POR SINAL NÃO PRECISA SER ENORME. BONS ESTUDOS E MUITA ATENÇÃO! SUCESSO.
Marcia Esbrana

COERÊNCIA DISSERTATIVA
         Apresentamos argumentos, dados, opiniões, exemplos, a fim de defender uma determinada idéia ou questionar determinado assunto.
         A coerência é decorrente não só da adequação da conclusão ao que foi anteriormente apresentado, mas da própria concatenação das idéias apresentadas na argumentação.
         Na produção de textos dissertativos, muitas vezes discutimos assuntos polêmicos sobre os quais não há consenso. Em dissertações que discutem temas como a pena de morte e a legalização do aborto, estão presentes convicções de natureza ética e religiosa que variam de indivíduo para indivíduo. Portanto, qualquer que seja a tese que defendamos, sempre haverá pessoas que discordarão dela.

IMPORTANTE NA DISSERTAÇÃO (CONSTRUÇÃO DA REDAÇÃO DISSERTATIVA)
         Não é a tese em si, pois as pessoas têm opiniões diferentes sobre um mesmo tema, mas o que importa mesmo é a coerência textual, ou seja, a argumentação deve estar em conformidade com a tese e a conclusão deve ser uma decorrência lógica da argumentação.

CONSIDERAÇÕES GERAIS
         1. adequação: ao tema, ao tipo de texto, à modalidade padrão.
         2. coerência (conteúdo)
         3. coesão (organização da superfície linguística)

PROPOSTAS DE DISSERTAÇÕES
         “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
Constituição da República Federativa do Brasil, art. 227


         “Oficialmente, o governo lança campanhas em defesa da criança, de caráter paliativo, chegando a reunir um enexplicável ministério mirim. Enquanto isso, crianças e adolescentes são torturados e assassinados, quando simplesmente não morrem de fome ou por doenças.”
(I.M.P.C. da Rocha, em carta publicada no Painel do Leitor, Folha de S. Paulo, 4 nov. 1990.)

         Você já analisou o discurso persuasivo em propagandas de TV e, provavelmente, debateu questões ideológicas ligadas a eles.
Escreva uma carta argumentativa para um jornal expondo suas idéias sobre a  ideologia veiculada em algum tipo desses programas (novela, enlatado, seriado).
         Discuta a seguinte afirmação: “Não há saída para nenhum de nós. A liberdade é ilusória; somos manipulados o tempo todo, nossos desejos são ditados pela propaganda e pelos veículos de comunicação de massa”. Redija um texto dissertativo sobre o assunto.
         Disserte sobre a seguinte afirmação: A água potável de nosso planeta faltará a quase todo mundo.

AS QUESTÕES DE 1 A 6 REFEREM-SE AO TEXTO A SEGUIR: LEIA-O

O acendedor de lampiões
Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
Este mesmo que vem infatigavelmente.
Parodiar o sol e associar-se à lua
Quando a sombra da noite enegrece o poente!

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite aos poucos se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade,
Como este acendedor de lampiões da rua!
Lima, Jorge de. Jorge de Lima: poesia. 3. ed. Rio de Janeiro, Agir, 1975.p.25 (Nossos Clássicos. 26).


  1. No plano da estrutura narrativa, o poema relata uma transformação de estado operada pelo acendedor de lampiões. Assim, temos:
A)  a transformação do acendedor propriamente dita.
B)   na passagem de um estado de privação da claridade para um estado em que o sujeito está de posse dela.
C)   na crença e na religião.
D)  o lampião acesso.
E)   a escuridão total vivida por todos.

  1. Há elementos no texto que comprovam que o acendedor de lampiões é manipulado?
A)  Sim, o ofício de acendedor.
B)   Não, o texto não comprova tal afirmação, apenas pressupõe.
C)    Sim, o acendedor de lampiões falha muito.
D)  Não, pois o acendedor de lampiões trabalha quando quer.
E)   Não, ele acende somente de sua casa.

  1. O texto nos permite afirmar que existe uma performance do acendedor de lampiões.
A)  Era seu ofício (infatigavelmente).
B)   Não era seu ofício.
C)   O pressuposto é evidente: ele não sabia acender os lampiões.
D)  O pressuposto é evidente: ele não podia executar tal tarefa.
E)   O acendedor estava triste.

  1. Ao relatar uma performance que o acendedor é capaz de executar, o texto faz referência a outra que ele não é capaz de realizar. No caso, essa performance que não realiza é:
A)  acender os lampiões da cidade toda.
B)   Acender os lampiões da rua da casa dele.
C)   Acender os lampiões de alguns bairros.
D)  Acender o lampião da sua própria habitação.
E)   Acender os lampiões das autoridades.


  1. O narrador deixa entrever que o acendedor de lampiões recebe uma sanção positiva pela performance que executa. Que sanção é essa?
A)  Reconhecimento, manifestado pela voz do narrador, de que em decorrência do ato de acender os lampiões a cidade ganha brilho e esplendor.
B)   O não reconhecimento, manifestado pela voz do narrador, de que em decorrência do ato de acender os lampiões a cidade não ganha brilho e esplendor.
C)   Reconhecimento, manifestado pela voz do próprio acendedor, de que em decorrência do ato de acender os lampiões a cidade ganha brilho e esplendor.
D)  O não reconhecimento, manifestado pela voz do acendedor, de que em decorrência do ato de acender os lampiões a cidade não ganha brilho e esplendor.
E)   O reconhecimento de um trabalho que é sua própria obrigação e sem nenhuma remuneração.


  1. O narrador deixa entrever que o acendedor de lampiões recebe uma sanção negativa pela performance que não consegue executar. Que sanção negativa é essa?
A)  Consiste no reconhecimento, também manifestado pela voz do narrador, de que não há tristeza e ironia no fato de o acendedor não conseguir dar brilho e esplendor à sua choupana.
B)   Consiste no reconhecimento, também manifestado pela voz do acendedor, de que não há tristeza e ironia no fato dele não conseguir dar brilho e esplendor à sua choupana.
C)   Consiste no reconhecimento, também manifestado pela voz do acendedor, de que não há tristeza e ironia no fato do narrador não conseguir dar brilho e esplendor à sua choupana.
D)  Consiste no reconhecimento, também manifestado pela voz do narrador, de que há tristeza e ironia no fato de o acendedor não conseguir dar brilho e esplendor à sua choupana.
E)   Não há sanção negativa para o acendedor no texto.

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO SEGUINTE E RESPONDA ÀS QUESTÕES DE 7 A 10

O fogo, bem defronte do rancho festivo, alumiava o terreiro.
Lúcio pôs-se a observar a agonia da lenha verde que se estorcia, estalava de dor, estoirava em protestos secos e se finava, chiando, espumando de raiva vegetal.
Voavam faíscas como lágrimas de fogaréu. Divisavam-se os troncos queimados boiando no cinzeiro, como negros em farinhada. Flamejava o painel do aceiro – as árvores ígneas e, esplêndida, a macaíba com o leque de chamas.
O incêndio esfumava-se, escurecendo a noite. E, de quando em quando, a fumaça deitava para a casa fronteira, envolvendo-a num presságio de luto.
(Fragmento do romance A bagaceira, do paraibano José Américo de Almeida, publicado em 1928).

  1. (Fuvest-SP) Entre os tipos de discurso ou de composição, podem citar-se a descrição, a narração, a dissertação. Situe o trecho entre tais tipos de composição. Justifique a resposta.
  2. (Fuvest-SP) Transcreva uma passagem desse mesmo trecho que esteja em explícita oposição de significado a “rancho festivo”.
  3. (Fuvest-SP) Explique o papel especial que tem no texto o uso do seguinte conjunto de termos: agonia, dor, protestos, raiva, lágrimas.
  4. (Fuvest-SP) Transcreva uma passagem do texto em que a seqüência de verbos expressa uma gradação.

TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 11 A 14

         No meio da década de 20, quando o automóvel tinha feito sua aparição com força total, caminhar pelas grandes avenidas européias era sair para ser expulso da rua pelo tráfego. “Foi como se o mundo tivesse subitamente enlouquecido”, dizem as pessoas quando fazem referência a essa época. O homem sentia-se diretamente ameaçado e vulnerável. “Deixar nossa casa significava que uma vez cruzada a soleira da porta, nós estávamos em perigo e podíamos ser mortos pelos carros que passavam”. Chocadas e desorientadas, as pessoas comparavam a rua de então com a de sua juventude. “A rua nos pertencia: cantávamos nela, discutíamos nela, enquanto os cavalos e veículos passavam suavemente.” A rua era, portanto, pouco tempo antes, o espaço que acolhia os homens, que lhes permitia se moverem à vontade, em um ritmo que podia acolher tanto as discussões quanto a música; homens, animais e veículos coexistiam pacificamente em uma espécie de paraíso urbano. Acontece que esse idílio terminou, as ruas passaram a pertencer ao tráfego, e o homem sobreviveu a esse tipo de mudança. Depois de esquivar-se e lutar contra o tráfego, acabou identificando-se por inteiro com as forças que estavam pressionando. O homem da rua incorporou-se ao novo poder, tornando-se o homem no carro.
         A perspectiva desse novo homem no carro gerou uma nova concepção de rua, que passou a orientar os planejamentos urbanos daí por diante. “Numa rua verdadeiramente moderna” – diziam, então, os especialistas – “nada de pessoas, exceto as que operam as máquinas; nada de pedestres desprotegidos e desmotorizados para retardar o refluxo”.

  1. (PUC-SP) Assinale a alternativa correspondente ao tema em torno do qual se organiza o discurso apresentado.
a)    o paraíso urbano e a máquina
b)   o homem e o espaço urbano
c)    o tráfego no mundo moderno
d)   o homem antigo e o moderno
e)   a modernidade e o poder da máquina

  1. (PUC-SP) O texto defende a tese de que:
a)    o homem, quando pressionado, alia-se às forças adversas e incorpora-se ao seu poder.
b)   o homem, no passado, conheceu uma espécie de paraíso urbano, mas corrompeu-o e dele foi expulso.
c)    o mundo moderno só admite pessoas que sabem operar as máquinas com perícia.
d)   a utilização do espaço pelo homem depende de sua relação com o mundo.
e)   o homem, no mundo moderno, cedeu seu espaço à máquina; por esse motivo, dá mais importância a ela do que a si próprio.

  1. (PUC-SP) “O homem da rua incorporou-se ao novo poder, tornando-se o homem no carro.”
Essa afirmação foi utilizada, no texto, para demonstrar que:

a)    o homem tornou-se moderno quando trocou o andar a pé, na rua, pelo andar de automóvel nas grandes avenidas.
b)   o homem, aliando-se à máquina, descobriu um novo poder e deu novo ritmo a todos os seus atos.
c)    a integração perfeita do homem à rua antiga foi abandonada quando ele se identificou por inteiro com a máquina.
d)   o carro deu ao homem novas perspectivas de vida, gerando, inclusive, um tipo de urbanização que protege o pedestre.
e)   o homem mudou e, em decorrência disso, surgiu uma nova concepção de rua.

  1. (PUC-SP) Observando-se o tipo de composição do texto, conclui-se que ele é:
a)    dissertativo, com elementos narrativos e descritivos.
b)   narrativo, com elementos descritivos e dissertativos.
c)    descritivo, com exclusão de argumentos.
d)   narrativo, com exclusão de descrições.
e)   dissertativo, com exclusão de argumentos.

TEXTO PARA AS QUESTÕES 15 E 16.

Filosofia dos epitáfios
         Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitáfios. E, aliás, gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Daí vem, talvez, a tristeza inconsolável dos que sabem os seus mortos na vala comum; parece-lhes que a podridão anônima os alcança a eles mesmos.
Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas

  1. Do ponto de vista da composição, é correto afirmar que o capítulo “Filosofia dos epitáfios”:
a)    é predominantemente dissertativo, servindo os dados do enredo e do ambiente como fundo para a digressão.
b)   É predominantemente descritivo, com a suspensão do curso da história dando lugar à construção do cenário.
c)    Equilibra em harmonia narração e descrição, à medida que faz avançar a história e cria o cenário de sua ambientação;
d)   é predominantemente narrativo, visto que o narrador evoca os acontecimentos que marcaram sua saída.
e)   equilibra narração e dissertação, com o uso do discurso indireto para registrar as impressões que o ambiente provoca no narrador.

  1. “Saí, afastando-me...epitáfios.” Dando nova redação a essa frase, sem alterar as relações sintáticas e semânticas nela presentes, obtém-se:
a)    Quando me afastei dos grupos, fingi ler os epitáfios e então saí.
b)   Enquanto me afastava dos grupos e fingia ler os epitáfios e então saí.
c)    Fingi ler os epitáfios, afastei-me dos grupos e saí.
d)   Ao afastar-me dos grupos, fingi ler os epitáfios, antes de sair.
e)   Ao sair, fingia ler os epitáfios e afastei-me dos grupos.


  1. Proposta de dissertação 1
Você deverá ler com atenção os textos seguintes, que tratam do autoritarismo que permeia as relações cotidianas na sociedade brasileira.
Redija sua dissertação tendo como apoio as idéias neles contidas. Evite copiar os textos. Use-os apenas como sugestão.
Texto 1
         “Mais amor e menos confiança”, “Vê se te enxerga!”, “Você não conhece o seu lugar?”, “Veja se me respeita!”, “Será que você não tem vergonha na cara?”, “Mais respeito”, etc. As expressões podem realizar o mesmo ato expressivo e consciente que, na sociedade brasileira, parece fundamental para o estabelecimento (ou restabelecimento) da ordem e da hierarquia.
(DA MATA, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. p.151)

   Texto 2
     Uma cena do nosso cotidiano
     Dois carros que circulavam em uma avenida movimentada batem. Inconformados, os dois motoristas descem dos carros e iniciam uma discussão:
Sujeito A – O senhor é um irresponsável, ultrapassando o meu carro dessa maneira!
Sujeito B – Quem é você pra me chamar de irresponsável?! Você sabe com quem está falando?
Sujeito A – Não faço a mínima...
Sujeito B – Pois saiba que sou sargento do Exército.
Sujeito A – Bem feito, eu não mandei o senhor não estudar. Eu, pro seu governo, sou engenheiro da Odebrecht.

Texto 3
O “Você sabe com quem está falando?” – e podemos dizer isso sem receio de cometer um curto-circuito sociológico – é um instrumento de uma sociedade onde as relações pessoais formam o núcleo daquilo que nós chamamos de “moralidade” (ou “esfera moral”), e tem um enorme peso no jogo vivo do sistema, sempre ocupando os espaços que as leis do Estado e da economia não penetram. A fórmula “Você sabe com quem está falando?” é, assim, uma função da dimensão hierarquizadora e da patronagem que permeia nossas relações diferenciais e permite, em conseqüência, o estabelecimento de elos personalizados em atividades basicamente impessoais.
(DA MATTA, Roberto, op.cit.)


1



5




10




15




20




25






GABARITO
  1. B/B/A/D/A/D/Texto descritivo, valorização do adjetivo./“presságio de luto”./Os termos citados personificam, humanizam a lenha, os troncos queimando./Trata-se de uma prosopopéia, que confere maior dramaticidade à descrição do incêndio./“a agonia da lenha verde que se estorcia, estalava de dor, estoirava em protestos secos e se finava”./B/D/E/A/A/B/Pessoal.

“Se é praticando que se aprende a nadar,
Se é praticando que se aprende a trabalhar,
É praticando que se aprende a ler e a escrever.”
(Paulo Freire, in A importância do ato de ler)

“ler é mais importante do que estudar”
(Ziraldo e Cleide Pereira Gomes)

“... se a escola desenvolver o gosto e hábito pela leitura terá cumprido seu papel”.
(Carlos Cagliari, Ruben Alves e Cleide Pereira Gomes)

"O acesso livre à informação é um exercício de liberdade que se desdobra infinitamente. No conhecimento não há nada definitivo, nem o professor e nem os livros. Tudo está para ser reescrito, constantemente." ( MILANESI, Luís, in O que é Biblioteca. São Paulo: Brasiliense)

Objetivo da Língua Portuguesa: ler e produzir diferentes gêneros textuais - orais, escritos, verbais e não verbais, nas diversas situações sociocomunicativas - formais e informais.          (PCN/Referencial/Gestar II - sociointeracionista)

 

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Marcia Esbrana


COMO ESTRUTURAR UMA DISSERTAÇÃO
SEMPRE RESPEITANDO OS DIREITOS HUMANOS

A)  INTRODUÇÃO – Em que se apresenta a idéia ou ponto de vista que se pretende defender.
B)   DESENVOLVIMENTO OU ARGUMENTAÇÃO – desenvolve-se o ponto de vista em que se pretende convencer o seu leitor. Use a argumentação, se possível citações.
C)   CONCLUSÃ – fecha-se o texto com os seus argumentos e uma proposta de “solução” ou caminho para a sua defesa.


NÃO SE ESQUEÇA DE FAZER UM ESQUEMA DE SUA DISSERTAÇÃO, ANTES DE INICIÁ-LA!
Lembre-se: escreva palavras ou frases que forem aparecendo, só depois passe para o rascunho. Essa fase é apenas um roteiro para ser seguido.

MODELO
A)  Tese a ser defendida.
B)   Jogo das idéias – argumentos – não se esqueça, no final, de numerar as idéias pela ordem em que devem aparecer na sua redação.
C)   Destaque a palavra do roteiro que serve para concluir sua tese.

A pena de morte = tema
Roteiro – posicionamento – Lembre-se: Não fique em cima do muro!Por exemplo: contrário.
A)  Contra – não resolve
B)   1. direito à vida – religião
2. outros países – EUA
3. erro judiciário
4. classes menos favorecidas
5. tradição

c) Ineficaz – solução: erradicação da pobreza

Momento de escrever a redação.
Na introdução você se colocaria contra a pena de morte porque ela não resolve o problema do aumento da criminalidade do país.

No desenvolvimento você escreve os argumentos do direito à vida que todos têm, consagrado pelas religiões e cita que em países em que a pena de morte existe, como nos EUA não combateu a violência...de que pode haver erro judiciário que leve a matar um inocente, e, continua a classe dos menos favorecidos, no Brasil que não podem pagar bons advogados é que seriam mais atingidos e de que a tradição jurídica brasileira consagra o direito à vida repudiando a pena de morte.

Na conclusão – repita a idéia de que a tese de que a pena de morte é ineficaz e indique um norte para esse problema, no caso a criminalidade. Lembre-se: solução para tudo, nós não temos, mas é possível criar alguma sugestão que mostra um caminho a ser seguido sem gerar maiores transtornos. Uma solução para esse problema seria a erradicação da pobreza (miséria).


Você precisa demonstrar 5 pontos em sua dissertação

  1. Domínio da norma culta da língua escrita;
  2. compreensão da proposta;
  3. seleção, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
  4. demonstrar conhecimentos dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação;
  5. elaboração da proposta de solução pára o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sócio-cultural.




Agora é com você! Bons treinos e muito sucesso!
Um beijão da professora Marcia Esbrana
Abaixo algumas dicas para treinamento
Concurso Público – Aplicação: 27/1/2002 // UnB/CESPE//Cargo: Agente da Polícia Federal
 Textos de base
             A sociedade organizada segundo os parâmetros do dinheiro e do trabalho, ao mesmo tempo que cria a figura do trabalhador, cria também a figura do vagabundo, do delinqüente, do trabalhador que não deu certo e que freqüentemente “esbarra” na lei, do criminosos em potencial. Essas são as pessoas que estarão mais sujeitas à perseguição e à punição. (Andréa Buoro et al . Violência urbana- dilemas e desafios)
                        Art.5º Todos são iguais perante a lei; sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade,à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
            III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
(Constituição da República Federativa do Brasil, 1988)

1.Proposta: considerando que as idéias apresentadas acima e nos textos da prova objetiva têm caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo, posicionando-se acerca do seguinte tema:
O combate à violência deve ser feito com imparcialidade e respeito ao ser humano.
2. Proposta: “A sociedade não é o retrato apenas de seus governantes, é o retrato de seus cidadãos, em destaque, de suas elites. É o nosso retrato, do Brasil todo, de todos nós”(Sérgio Abranches) – com fragmentos com caráter unicamente motivador. UnB ; CESPE –aplicação 10/10/2004 – cargo: Escrivão de Polícia Federal 
 3. Proposta: “Tomando como motivadores o texto inicial da prova objetiva de Conhecimentos Básicos e os excertos acima, redija um texto dissertativo, posicionando-se acerca das vantagens de utilização da tecnologia na educação, em um contexto sociocultural em que é elevado o número de analfabetos. UnB /CESPE –aplicação 30/5/2004 – cargo Papiloscopista Policial Federal.
 4. Proposta: “ Redija um texto dissertativo, posicionando-se a respeito do seguinte enunciado: CONTRA FATOS, NÃO HÁ ARGUMENTOS. Em sua argumentação, refira-se, necessariamente, ao que expressam as figuras acima” . UnB / CESPE –aplicação 9/10/2004 – cargo: Perito Criminal Federal.

 5.CONTEXTO
O alvo errado do plebiscito
O Congresso discute a forma do plebiscito que pode proibir a venda legal de armas para civis. No entanto, números levantados por VEJA sugerem que o problema do comércio de armas clandestinas, a maioria contrabandeada, é estratosfericamente maior que o das vendas legais.
 ARMAS NOVAS VENDIDAS LEGALMENTE A PESSOAS FÍSICAS EM 2004 (o objeto de proibição do plebiscito) – 7219 armas.
 NÚMERO DE ARMAS ILEGAIS EM CIRCULAÇÃO NO PAÍS  - 8,7 milhões de armas.
 CUSTO MÍNIMO DO PLEBISCITO  - 200 milhões de reais. O valor é maior que toda verba destinada ao Fundo Nacional de Segurança Pública neste ano.
·         Além de civis, inclui a compra particular por policiais, promotores e juízes.
·         Estimativa com base no número de armas ilegais apreendidas pela polícia.

TEMA: Você é a favor ou contra a comercialização de armas no Brasil?